Ato terrorista contra Sindicato dos Jornalistas faz 40 anos e vira totem pela democracia

  • por | publicado: 10/06/2023 - 09:41 | atualizado: 21/06/2023 - 13:55

Alessandra Mello e os ex-presidentes do SJPMG Paulo Lott e Washington Mello, foto site do SJPMG

Quarenta e três anos depois, o ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais Paulo Lott doou uma relíquia das mãos à atual gestão da entidade. Um pedaço da porta de jacarandá da sede do sindicato, localizada na avenida Álvares Cabral, que foi explodida por uma bomba em 1980, durante a Ditadura Militar.

Presidente da entidade à época do atentado, Lott guardou parte da porta danificada e a transformou em um totem, entregue ontem por ele à atual presidenta do SJPMG, Alessandra Mello. Também participou do encontro, o ex-presidente do Sindicato e da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Washington Mello.

Luta contra a ditadura

“Essa relíquia representa materialmente a luta do nosso Sindicato, desde a sua criação, há 80 anos, em defesa dos jornalistas, do jornalismo, da liberdade e da democracia. É com muito orgulho que recebemos esse pedaço da história dos jornalistas mineiros, que a ditadura, sem sucesso, tentou calar “, afirmou a presidenta que, no próximo dia 23, passa o comando da entidade para a presidenta eleita, Lina Rocha.

Ao longo de sua existência, o SJPMG foi alvo de três atentados terroristas, em abril de 1978, junho de 1980 e março de 1995. Ocorridas durante a noite, as explosões fizeram estragos na sede, mas não feriram ninguém.

A presidenta também destacou a importância da atuação de Lott à frente do Sindicato nesse curto período em que presidiu a entidade (1980/1981). Ele sucedeu Washington Mello, de quem era vice, que deixou a presidência do Sindicato para comandar a Fenaj. “Lott pegou pela frente uma pauleira, enfrentada com muita coragem”, destacou Alessandra Mello.

Alessandra Mello, o totem e a porta danificada pelo atentato, foto site SJPMG

Demissões arbitrárias

Logo quando assumiu o sindicato, Paulo Lott comandou a luta em defesa de sete jornalistas mineiros processados pela ditadura, com base na Lei de Segurança Nacional. O crime deles teria sido noticiar um manifesto divulgado pelo Partido Comunista do Brasil no dia 7 de setembro. Além de processados, cinco deles foram demitidos pelos seus patrões (Jornal do Brasil, Agência JB, TV Manchete e TV Globo). Apenas a Rádio Itatiaia resistiu às pressões dos militares e não dispensou os jornalistas Márcio Dotti e Samuelito Mares.

Em defesa dos jornalistas, Paulo Lott e Washington Mello chegaram a contatar um procurador militar, que pediu dinheiro para não apresentar denúncia. O Sindicato não aceitou o suborno. Defendidos gratuitamente pelos mais renomados criminalistas mineiros, contratados pelo SJPMG, os sete jornalistas foram absolvidos por unanimidade pela Justiça Militar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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