Bolsonaro mandará os recrutas para casa ou Amazônia?

Presidente Bolsonaro disse "tolerância zero" será aplicada também contra as queimadas na Amazônia - Foto: Caroline Antunes/PR

Em seu pronunciamento, na noite de ontem (23), o presidente Jair Bolsonaro deixou questões abertas: a Floresta Amazônica é ou não uma jurisdição federal e de onde sairá dinheiro para mandar recrutas do Exército para lá? Assim como os rios Amazonas, São Francisco, Uruguai e outros de grandes extensões, a Floresta Amazônica é jurisdição federal. Daí o fato de as “medidas de conservação e proteção” daquela floresta partirem do Governo federal. Portanto, seria desnecessária uma “autorização” prévia dos Estados para as Foças Federais agirem diante dessa tragédia ecológica que assusta todo o planeta.

Bolsonaro diz, agora, será “tolerância zero” com incêndios na Amazônia. Mas existe o problema dos desmatamentos. Ilustração mostra um do avanço em 32 anos, entre o final do regime militar até penúltimo ano do Governo Temer – Foto: Divulgação DW/Redes Sociais

Bolsonaro declarou o país falido

Outra questão é o milagre do dinheiro, que falta para todos ministérios. Há exatamente uma semana, na sexta-feira (16) da semana anterior, Bolsonaro declarou que, sem caixa, o Exército iria liberar os soldados em meio expediente. Não haveria mais almoço nos quartéis. “O Exército vai entrar em meio expediente, porque não tem comida para dar para o recruta, que é o filho de pobre. A situação que nós encontramos é grave. Não há maldade da minha parte. Não tem dinheiro, só isso, mais nada”. Disse que todos os ministros, sem verbas, estão “apavorados”, mas “o Brasil todo está sem dinheiro”. Em sua fala, de ontem, haverá um agente federal à sombra de cada árvore restar em pé na Amazônia.

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Maia pede dinheiro da Lava Jato

Sempre mais ágil que Bolsonaro, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), saiu na frente em busca do dinheiro. Pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que autorize o saque de R$ 1 bilhão. Maia sugere a retirada no caixa formado pelas investigações da Operação Lava Jato (combate à corrupção dos partidos, políticos e empresários). O ministro Alexandre de Moraes despachou que, em 48 horas, a contar de segunda-feira (26), a Advocacia Geral da União (AGU), da Procuradoria Geral da República (PGR), da Procuradoria Geral da fazenda Nacional e do Ministério da Economia se manifestem. O dinheiro seria extraído do bolo de R$ 2,5 bilhões pagos em multas pela Petrobras às ações movidas nos Estados Unidos, que foram repatriados ao Brasil, por intervenção da própria Lava Jato.  

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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