Bolsonaro volta a estimular aglomeração em meio a temor de 3ª onda da Covid-19

Presidente Bolsonaro participa, sem máscara, de aglomeração com motoqueiros no Rio de Janeiro. Foto - Agência Brasil

Apesar das pressões da CPI da Covid-19 no Senado, que já aponta para o Palácio do Planalto como um dos principais responsáveis pela maior crise sanitária já vivida pelo país, o presidente Jair Bolsonaro deu hoje nova demonstração de que é um grande aliado do novo coronavírus. Participou, sem máscara, de uma grande aglomeração de motoqueiros no Rio de Janeiro, que decidiram sair às ruas em apoio ao seu governo.

No Rio, um decreto do governo estadual obriga o uso de máscara em locais públicos. Em disputa com uma parcela considerável de governadores por conta das restrições determinadas para tentar conter a Covid, Bolsonaro dá de ombros para os decretos dos governos estaduais.

Na última quinta-feira, em visita a São Luís, a capital do Maranhão, também não usou máscara (e recebeu uma multa por isso), como havia também acontecido, poucos dias atrás, em manifestação em Brasília. Na verdade, raramente o presidente da República usa máscara em público.

A postura do presidente da República, embora agrade seus seguidores é, na verdade, um deboche com a grande maioria do povo brasileiro. Dados da Universidade de Washington apontam que há uma tendência de aumento de óbitos no Brasil por conta da Covid, o que seria uma terceira onda da doença, que já matou mais de 450 mil pessoas.

Especialistas afirmam que ainda é possível evitar um cenário mais catastrófico no país. Para tanto, é indispensável manter o isolamento social e o uso de máscara, até que a grande maioria da população esteja vacinada. Mas o mandatário da Nação, que sempre desprezou as vacinas, está fazendo, ao longo de toda a pandemia, exatamente o contrário.

Mais mortes

A vacinação contra a Covid-19 no Brasil começou em 17 de janeiro. Mais de quatro meses depois, só receberam a primeira dose cerca de 20% da população. Menos de 10% conseguiram ser vacinados com a segunda dose. É um vexame.

Com a capacidade que tem o programa de imunização do Brasil de vacinar até 2 milhões de pessoas por dia, em três meses de campanha já poderíamos ter 180 milhões de brasileiros vacinados. Não foram porque simplesmente não temos vacinas. E não temos porque o governo federal, via Ministério da Saúde, decidiu não comprá-las quando teve a oportunidade.

Assim, estamos diante de uma dura realidade, nua é crua: ainda vamos assistir a centenas de mortes no país pela Covid-19. E não dá para eximir o governo federal de uma parcela considerável de responsabilidade por esses óbitos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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