Condenados na Chacina de Unaí continuam soltos após 17 anos; 1 está foragido

Chacina de Unaí completa 17 anos nesta quinta (28), foto José Cruz/ABr

Dezessete anos após o assassinato de quatro fiscais do Ministério do Trabalho, na conhecida Chacina de Unaí, os mandantes continuam soltos e um dos executores está foragido. Os servidores apuravam irregularidades na área rural deste município do Noroeste de Minas. Nesse mesmo dia, em 2004, foram mortos a tiros os auditores Erastóteles de Almeida (42), João Batista Soares (50) e Nelson José da Silva (52) e o motorista Ailton Pereira (52).

Os executores dos homicídios Erinaldo de Vasconcelos, Willian Gomes, Francisco Pinheiro e Humberto dos Santos foram condenados e já cumpriram 1/3 de suas penas. O quinto atirador Rogério Alan foi beneficiado com a liberdade condicional para cumprimento do restante da pena. Deixou a penitenciária e nunca mais foi localizado pela justiça. Nos autos do processo, consta que ele foi o responsável pelo tiro que atingiu a cabeça do auditor Nelson José da Silva.

Mandantes nunca cumpriram pena

Hugo Alves Pimenta, José Alberto de Castro, Antério Mânica e Norberto Mânica foram julgados e condenados como mandantes em 30 de outubro de 2015, mas nunca cumpriram a pena. Há dois anos, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) negou embargos de declaração apresentados pelas defesas dos mandantes.

A pena imposta a cada um dos acusados é a seguinte: Norberto Mânica – 65 anos, 7 meses e 15 dias de reclusão. José Alberto de Castro – 58 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão. Hugo Alves Pimenta – 31 anos e 6 meses de reclusão. O ex-prefeito de Unaí Antério Mânica, irmão de Norberto, também chegou a ser condenado em 1ª instância pelo crime. No entanto, a Justiça anulou a decisão e determinou a realização de um novo julgamento.

Ex-delegado condena impunidade

Os mandantes do crime continuam entrando com recursos no TRF para continuar em liberdade. Os condenados querem um novo julgamento dessa vez em Unaí, região onde são poderosos política e economicamente.

Para o delegado do Trabalho em Minas, à época, Carlos Calazans, cada ano que passa com a impunidade aumenta a responsabilidade dos que lutam por justiça. “Um verdadeiro absurdo saber que os mandantes de um crime desta magnitude, e com repercussão internacional, seguem, 17 anos depois, ainda impunes. Também nos deixam estarrecidos saber que um dos executores está foragido da justiça”, acusou.

LEIA MAIS: Defensoria Pública constata que prisão após 2ª instância é injusta

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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