Cúpulas das forças de segurança de MG dão como certo que terão aumento de 42%

Expectativa das forças de segurança é que o governador Romeu Zema sancione projeto que concede aos servidores da área aumento de 42%. Foto - Pedro Gontijo-Agência Minas

Expectativa das forças de segurança é que o governador Romeu Zema sancione projeto que concede aos servidores da área aumento de 42%. Foto - Pedro Gontijo-Agência Minas

Apesar das fortes pressões sobre o governador Romeu Zema (Novo), que vêm da direção do seu partido, de partidos aliados, como o DEM, de entidades de classe, como Fiemg, governadores de outros estados e da equipe econômica do ministro Paulo Guedes, as cúpulas das polícias Civil e Militar dão como certo que as forças de segurança do Estado terão aumento de 42%.

Proposta nesse sentido foi aprovada pela Assembleia Legislativa antes do Carnaval e só aguarda a sanção do governador Zema. “Esse índice de 42% foi negociado e proposto pelo próprio governador. Não há nenhuma razão para duvidar que ele não vai sancionar o aumento”, disse ao Além do Fato um graduado integrante dessas forças de segurança. O impacto do aumento, escalonado em três anos, até 2022, será de R$ 9 bilhões.

Outros reajustes deverão ser vetados

Se os servidores da segurança estão certos de que terão seus salários corrigidos, tudo indica que o aumento para as demais categorias do funcionalismo será vetado pelo governador. É o caso dos professores e servidores da saúde, que também foram contemplados com correções salariais pelos deputados por meio de emenda apresentada ao projeto original do Executivo.

Caso esses aumentos também sejam sancionados pelo governador, hipótese pouco provável, o governo terá um custo extra na folha de pagamento de cerca de R$ 20 bilhões.

Prejuízos políticos para Zema

Por outro lado, a sanção do projeto, se confirmada, vai representar grandes prejuízos políticos para o governador Zema. Há, por exemplo, o risco de que ele seja expulso do Novo, uma vez que o aumento fere um dos pilares do partido, que é o ajuste fiscal. A direção da legenda já recomendou, em nota que tornou pública, que o projeto seja vetado, conforme informou em primeira mão o ALÉM DO FATO no dia 19 de fevereiro. Veja aqui.

Mas o grande temor de um número expressivo de agentes políticos país afora é que o gesto de Zema abra a porteira (e onde passa um boi, passa uma boiada) e estimule policiais de outros estados a pressionar, de armas em punho, por reajustes salarias. O caso do Ceará, onde a polícia está amotinada, não é único. Há temores de que situação semelhante possa ocorrer no Espírito Santo, Santa Catarina, Bahia, Paraná e Paraíba.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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