Entidades sindicais rebatem Zema e cobram retratação pública

Representantes de policiais levaram reivindicações a Agostinho Patrus, foto Sarah Torres/ALMG

Numa reação conjunta, entidades ligadas ao funcionalismo rebateram as críticas do governador Romeu Zema (Novo) e até cobraram retratação pública. Caso contrário, poderão recorrer à Justiça por difamação e calúnia contra ele. Em consenso, todos o tacharam de “irresponsável” pelas declarações feitas, sem apuração e sem provas.

Durante live, na segunda (20), Zema afirmou que “o pessoal que estava acostumado com ‘rachadinha’ e não sei mais o que, agora fica dando do contra” a reforma da Previdência. Disse, ainda, que, durante o governo anterior, as entidades “não levantaram a mão quando o funcionário público estava sendo prejudicado”.

Onze associações e sindicatos ligadas aos servidores da polícia civil, polícia penal e agentes socioeducativos divulgaram nota de repúdio. A mesma iniciativa teve o Sindicato dos Médicos e o Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de Minas (Sindifisco-MG).

Policiais veem gravidade na acusação

Além de contestar as acusações, os primeiros afirmaram que, ao contrário das críticas, impetraram dezenas de ações judiciais contra o governo anterior em defesa dos direitos das categorias que representam.

“Contudo, causa assombro e preocupação uma afirmação com a gravidade deste teor, sem a precedência de apuração e, principalmente, o esclarecimento dos fatos suscitados, tal como se preconiza como dever do Estado, e não a simples propalação de frases e raciocínios levianos. É, no mínimo inquietante, testemunhar a irresponsabilidade de um chefe de Estado que ignora seu papel histórico e desconheça o real valor do que profere publicamente, sobretudo ao utilizar-se de ilações assentadas sobre preconceitos e generalizações. Diante de uma afirmação tão contundente, conclama-se que as autoridades competentes apurem os fatos e adotem as medidas cabíveis”, apontou o coletivo de entidades. Eles ainda cobraram retratação pública de Zema.

Sindifisco acusa ‘boquinhas’

O presidente do Sindifisco-MG, Marco Couto, disse que o partido Novo, de Zema, tem o mal costume de medir os outros pela própria régua. “Apesar de crítico, no discurso, à dita “velha política”, o governo Zema, segundo dados do portal transparência, emprega ou empregava em cargos de comissão de recrutamento amplo (secretariado ou não) quase uma dezena de ex-candidatos ao parlamento derrotados nas urnas em 2018 pelo partido Novo. Seriam as famosas ‘boquinhas’ que tanto prometeu acabar em seu governo? Mais uma da série faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, apontou, ao avaliar como “infeliz” as críticas do governador.

O vice-presidente do Sindifisco, Hugo Sena, disse que o governador, na condição de neto e herdeiro do império Zema, “continua se achando e agindo como se o Estado fosse puxadinho de sua empresa”.

“Fala irresponsável”

Em nota, representantes do Sinmed-MG afirmam que a fala de Zema é “irresponsável”, porque “desconsidera lutas importantes na preservação e conquistas de direitos realizadas pelos movimentos sindicais”.

“O Sinmed-MG entende que o governador está atribuindo às entidades de defesa dos direitos da categoria a prática de crimes e favorecimentos ilícitos de natureza patrimonial. É irresponsável a fala do representante do Executivo mineiro porque desconsidera lutas importantes na preservação e conquistas de direitos para a categoria, realizadas pelos movimentos sindicais onde, a esse respeito, nossa entidade sempre esteve presente”, diz a nota do sindicato.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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EconomiaPolítica

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