Já na marca do pênalti: hora de Paulo Guedes está chegando

O ministro Paulo Guedes e o presidente Bolsonaro, foto Fabio R. Pozzebom/Agência Brasil

Na hora da busca pelo poder, não há limites, mesmo que isso comprometa bandeiras de campanha e o ajuste fiscal. O presidente Bolsonaro já perdeu ministros importantes, como Luiz Mandetta, na Saúde, que tinha posição mais assertiva e correta na pandemia. Outro, Sérgio Moro, da Justiça, que veio como o discurso de combate à corrupção, não resistiu quando os investigados estavam no entorno do presidente e de seus familiares.

Agora, quem está na marca do pênalti é o ministro da Economia, Paulo Guedes, por conta dessa nova fase em que Bolsonaro busca garantir a melhora na imagem, já de olho na própria reeleição. De acordo com o Datafolha, o presidente perdeu 10 pontos na própria rejeição, dos quais cinco foram para sua aprovação e o restante para os que o consideram regular.

De outra forma, cresceu cinco pontos percentuais de aprovação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. O instituto entrevistou por telefone 2.065 pessoas nos dias 11 e 12 de agosto. Guedes insiste no ajuste das contas públicas.

Matriz de Bolsonaro é o centrão

Mais cedo ou mais tarde, chegará a hora do ministro Guedes, que está resistindo à abertura dos cofres. A matriz de Bolsonaro é o baixo clero, grupo de deputados que fazem política na base do velho e tradicional toma-lá-dá-cá. Do fisiologismo da sobrevivência de quem faz da política o carreirismo. Mais conhecidos como centrão. Não irá fugir disso.

Por conta disso, o governo enfrenta uma guerra declarada entre dois ministros, Paulo Guedes e o do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. Guedes tem alertado Bolsonaro sobre riscos de um processo de impeachment se continuar seguindo os conselhos de ministros “fura-teto”, como ele classificou. O ministro ‘fura-teto’ seria Marinho, já que ele vem liderando toda a movimentação para aumentar os gastos com obras, mesmo que isso signifique estourar o teto de gastos.

Guedes busca assustar Bolsonaro com os mais de 40 pedidos de impeachment na gaveta do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ). Daí, o alerta para que ele não siga os passos de Dilma perante os gastos públicos que acabaram sendo usados como argumento para o impeachment dela.

Ministro ‘fura-teto’ quer mais gastos

Ao lado de Marinho, os ministros militares também querem investimentos. Guedes insiste no ajuste fiscal, segundo ele, para que o país não quebre de vez. Ele classificou o Pró-Brasil, programa de obras dos militares, como um “erro” e o comparou ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da petista.

A turma opositora a Guedes diz que ele se acha intocável e que o seu programa liberal para a economia não trouxe os resultados esperados pelo presidente. E, ainda, que ele também demorou para agir durante a pandemia do novo coronavírus, afetando politicamente o governo.

Ao provar o gosto da popularidade, Bolsonaro deverá buscar manter o apoio dos partidos do centrão e o pagamento do ‘coronavoucher’. Difícil, será convencer o ministro da Economia a ficar no governo e trocar o estilo liberal pelo de populista. Ao contrário, tem cobrado do ministro postura menos resistente ao aumento de gastos públicos em favor de obras e benefícios sociais que o ajudariam a manter imagem positiva e buscar a recondução por mais quatro anos.

LEIA MAIS: Guedes, tome o último cafezinho. Ao sair, deixe a luz acesa

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Dauro Souza

Parei ao ler como “Luiz Mandetta, na Saúde, que tinha posição mais assertiva e correta na pandemia.” Assertiva? vc só pode estar de brincadeira…kkkkk

Fábio Fonseca

Esta matéria É esquerdopata ,.os ministros que saíram não fizeram falta nenhuma. Paulo Guedes não está saindo e, se sair, virá outro. Afinal ninguém votou em ministro. Bolsonaro até dezembro de 2026. Bolsonaro Neles!

Dias

Vá se atualizar, seu idiota. Se quer destilar sua aversão ao presidente da república, procure argumentos sólidos e verdadeiros. e não fofocas de fundo de zona.

Felippe

Mandetta? Aquele que disse zilhões de vezes ao vivo que só deveria procurar o hospital quando sentisse falta de ar? Ele mesmo o proto-genocida?….Mais estúpido que quem escreveu essa matéria…