Lula realinha PT contra Bolsonaro e descarta aliança com Ciro

Lula cumprimenta simpatizantes em Salvador, foto site do PT nacional

Ao reunir três dos quatro governadores do partido no primeiro encontro partidário, Lula realinhou e reaglutinou os petistas. Desde sua prisão de 580 dias, eles andavam sem rumo e sem foco. O encontro aconteceu nessa quinta (14), em Salvador (BA) onde apontou vários caminhos que irão orientar a trajetória do PT daqui pra frente. Primeiro, com relação ao momento presente (governo Bolsonaro). Segundo, sobre o futuro, especialmente nas próximas eleições municipais e nas presidenciais.

De olho na inevitável polarização, adiantou que o PT vai ocupar o lugar que está vago na política nacional, o da oposição ao governo Bolsonaro. E o foco será a política econômica. Criticou medidas recentes, como a MP do programa Verde e Amarelo, a reforma tributária e o leilão da Petrobras. “É como um desses desastres que acontecem de vez em quando”, disse sobre Bolsonaro.

Polarização é o caminho

Segundo ele, o partido deve apostar na polarização, apontando que quem polariza é quem disputa o título. O PT vem polarizando desde 1989 e vai polarizar em 2022.

No mais reafirmou que o partido tem que estar unido, que não tem que fazer autocrítica e que nem a fará, como cobram aliados internos e externos. “Vocês já viram alguém pedir para FHC fazer autocrítica? […] Quem quiser que o PT faça autocrítica, que faça a crítica você. Quem é oposição que critica, ela existe para isso […] Na dúvida, a gente defende o nosso companheiro”, afirmou o ex-presidente. Seu partido, o PT, foi acusado e julgado pelos escândalos do mensalão (2005) e do petróleo (2017).

Candidatura própria

Com o realinhamento partidário feito, confirmou que o PT terá candidatos próprios nas eleições do ano que vem e nas presidenciais de 2022. Diante disso, descartou de vez aliança com Ciro Gomes (PDT), justificando que o “PT não nasceu para ser partido de apoio” a outro.

Sobre Bolsonaro e possíveis rivais, deixou críticas e ironias. Voltou a ligar o nome do presidente ao de milicianos e ao assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e de seu motorista Anderson Gomes. No entanto, não irá brigar com os milicianos, porque essa briga, segundo ele resultou na (morte de) Marielle.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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