Em encontro inédito, nessa quarta (27), em BH, o superintendente regional do Trabalho, Carlos Calazans, e auditores fiscais denunciaram formas de escravidão moderna à ONU. Eles se reuniram com o relator especial sobre formas contemporâneas de escravidão do alto comissariado da Organização das Nações Unidas, Tomoya Obokata. Além disso, discutiram outros fatores que tem levado à precarização do trabalho no Brasil, como a uberização.
Calazans ainda apresentou os dados de combate ao trabalho análogo à escravidão em Minas e a campanha “Minas sem Trabalho Escravo’. Obokata aprovou a atuação da Superintendência regional e irá incluir em seu relatório os dados e as questões debatidas no estado.
Ação no Triângulo
Entre os dias 8 e 15 de abril deste ano, por exemplo, uma ação coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou duas pessoas submetidas a condições análogas à escravidão no município de Planura (Triângulo Mineiro). A operação contou com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Polícia Federal (PF) e do acompanhamento da Clínica de Enfrentamento ao Trabalho Escravo do Centro Universitário Presidente Antônio Carlos (UNIPAC).
Maior resgate do país
O comissário da ONU cumpre missão no Brasil até a sexta-feira (29). Nos dados apresentados a ele, estão números relacionados às operações de resgate de trabalhadores em situação de escravidão promovidas no ano passado. Nos 12 meses de 2024, 500 pessoas foram retiradas de ambientes profissionais com indícios de exploração em Minas.
Apenas em propriedades com lavouras de café, 144 trabalhadores foram resgatados. Nas fazendas de cultivo de cebola, por sua vez, houve o resgate de 73 pessoas.
No encontro com Obokata, Calazans apontou para a precarização das relações trabalhistas no país. “A luta com a campanha de combate ao trabalho escravo é para tentar com que esses números sejam extintos. A luta não é só da Superintendência do Trabalho. Tem de haver articulação de todos os setores da sociedade”, reafirmou.
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