Ministro Ricardo Lewandowski diz que Brasil tem males maiores que a corrupção

  • por | publicado: 7/01/2020 - 12:38
Ministro Ricardo Lewandowski Foto: Rosinei Coutinho/STF

Ministro Ricardo Lewandowski Foto: Rosinei Coutinho/STF

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse em entrevista ao El País, publicada hoje (7-01), que o combate à corrupção no país tem que ser feito de forma permanente; mas ressaltou que o Brasil tem outros males que se equivalem ou são até mesmo superiores à corrupção.

“O combate à corrupção tem que ser feito diuturnamente, permanentemente, mas existem outros males igualmente graves no Brasil: a má distribuição de renda, a exclusão social, o sucateamento da educação, a precarização da saúde pública. São males que equivalem, se não são superiores, ao mal da corrupção”, afirmou o ministro.

Lewandowski disse ainda que o combate à corrupção sempre foi um mote para permitir que se promovessem retrocessos institucionais. “Foi assim na época do suicídio de Getulio Vargas, foi assim em 64. É uma visão moralista política do combate à corrupção, a meu ver, absolutamente deletéria”, assinalou.

Juiz de garantias

O ministro do STF também falou ao El Pais sobre o juiz de garantias, que foi aprovado no pacote anticrime e sancionado pelo presidente Bolsonaro. “Esse é um avanço extraordinário. Eu sempre pugnei para que o juiz de garantia fosse adotado”, afirmou. Entre os críticos da figura do juiz de garantia está o ministro e ex-juiz Sérgio Moro.

Vaja Jato

O ministro também foi questionado pelo El País sobre as revelações feitas pelo site The Intercept Brasil, batizada de Vaja Jato, que colocaram em xeque o comportamento e práticas adotadas pelos procuradores da Operação Lava Jato e do então juiz Sérgio Moro.

“Em primeiro lugar eu acho que as revelações do The Intercept são gravíssimas. Denúncias que precisam ser apuradas e que, diga-se, até o momento não foram desmentidas. Agora, o Supremo já corrigiu certos desmandos que ocorreram, não só no âmbito da operação Lava Jato, mas também em outros juízos, de 1º e 2º graus”, ressaltou o ministro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

All Comments