Moro termina primeiro ano de governo como principal adversário de Bolsonaro

Ministro Sérgio Moro tem aprovação muito acima do presidente Bolsonaro, conforme pesquisa do instituto Datolha. Foto - Agência Brasil

Ministro Sérgio Moro tem aprovação muito acima do presidente Bolsonaro, conforme pesquisa do instituto Datolha. Foto - Agência Brasil

A pesquisa Datafolha divulgada hoje deixa evidente que em um ano de governo Bolsonaro, quem se consolida como a principal liderança política da gestão é o ministro da Justiça, o ex-juiz Sérgio Moro, que não vem escondendo suas pretensões para 2022: ser candidato a presidente da República. Ou seja, um adversário de peso de Bolsonaro, que já anunciou que será candidato à reeleição.

De acordo com a pesquisa, 53% dos entrevistados avaliam sua atuação à frente do Ministério da Justiça como ótima/boa. Já o presidente Bolsonaro tem sua gestão avaliada como ótima/boa por 30%, uma diferença de 23 pontos percentuais. O percentual de ruim/péssimo de Moro é de 21%; enquanto que o de Bolsonaro é de 36%, diferença de 15 pontos percentuais.

Outro dado da mesma pesquisa divulgada ontem deixou os bolsonaristas de orelha em pé: Moro seria o adversário mais duro de Bolsonaro num eventual segundo turno. Num cenário de disputa entre o atual presidente e Lula, por exemplo, Bolsonaro venceria (45% a 40%). Mas caso o rival seja Moro, haveria um empate técnico entre eles: ambos teriam 36% das intenções de voto.

“Chega pra lá” presidencial

Bolsonaro bem que tentou cortar um pouco as asas do seu ministro, provavelmente já de olho no seu potencial. Retirou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) da Justiça, cortou verbas da sua pasta, tentou interferir na Polícia Federal, não fez muito esforço para ajudar na aprovação do pacote anticrime defendido por Moro no Congresso.

Além do “chega pra lá” presidencial, Moro teve que conviver com as revelações feitas pelo site Intercept Brasil, amplificadas por importantes veículos de comunicação, que mostraram sua atuação nada republicana enquanto era o todo poderoso juiz da lava jato em Curitiba: por exemplo, estreita colaboração com os procuradores, o que a legislação brasileira não permite, ingerência na agenda das operações da lava jato, divulgação de uma escuta telefônica ilegal entre a presidente Dilma e o ex-presidente Lula – sabendo ser ilegal.

Ainda assim, Moro mostra resistência e seu prestígio se mantém. Pela pesquisa Datafolha, feita com 2.948 entrevistados de todo o país, 93% dos entrevistados o conhecem e aprovam sua atuação.

Hoje, há entre uma ala dos bolsonaristas o sonho de que Moro seja o candidato a vice-presidente de Bolsonaro nas próximas eleições. Mas os moristas defendem que ele tem cacife para sonhar com voos mais altos. Razão pela qual muitos aliados do presidente avaliam que ele deve colocar as barbas de molho, já que estaria “dormindo com o inimigo”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.