Por onde anda o presidente do STF, que nada diz sobre as agressões à Constituição?

Apesar das críticas ao Supremo, inclusive por parte do presidente Bolsonaro (dir), o presidente do STF, Dias Toffoli, não reagiu. Foto - Agência Brasil

Apesar das críticas ao Supremo, inclusive por parte do presidente Bolsonaro (dir), o presidente do STF, Dias Toffoli, não reagiu. Foto - Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro divulgou segunda-feira passada, dia 28, nas suas redes sociais, um vídeo em que compara o Supremo Tribunal Federal (STF), partidos políticos de esquerda e veículos de imprensa a hienas. Na postagem, o presidente é o Rei Leão atacado por um grupo desses animais carnívoros, tidos como carniceiros, que são conhecidos pela feroricade de seus ataques, sempre em bandos.

E o que disse o presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, sobre essa agressão à Corte que é a guardiã da Constituição? Absolutamente nada. Quem saiu em defesa do STF foi o ministro Celso de Melo, que disse que Bolsonaro não é um “monarca” e que “o atrevimento presidencial parece não encontrar limites”.

Na última quinta-feira foi a vez do filho do presidente, deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), líder do seu partido na Câmara, cometer, dessa vez sim, um atentado grave contra a Constituição, ao defender um novo AI-5, o ato institucional da ditadura militar que deu licenças para os generais implantar o terror no país.

Ao defender um novo AI-5 (embora tenha pedido desculpas posteriormente), o que o filho do presidente fez foi apologia de um instrumento da ditadura, que poderia dar licença ao chefe do Executivo, o seu pai, para fechar o Congresso , cassar mandatos, proibir o funcionamento de partidos, fazer intervenção em estados e municípios, censurar a imprensa, demitir procuradores e juízes, entre eles ministros das cortes superiores, como o STF e o STJ.

E o que disse Dias Toffoli a respeito desse afronta? Novamente, nada. E vale lembrar que Eduardo, em meados do ano passado, havia demonstrado seu apreço pelo Supremo. Numa palestra para estudantes de um cursinho para candidatos a agentes da Polícia Federal em Cascavel, interior do Paraná, disse que para fechar o STF bastaria um cabo e um soldado.

“Cara, se quiser fechar o STF, sabe o que você faz? Você não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo. Não é querer desmerecer o soldado e o cabo, não”, disse ele. Uma semana antes do segundo turno, vencido por Bolsonaro, o assunto voltou a ter destaque nos meios de comunicação, uma vez que Eduardo, na mesma palestra, fez ameaças aos ministros do STF caso a corte apresentasse algum questionamento contra a vitória do pai.

Se prender um ministro do STF, você acha que vai ter uma manifestação popular a favor do ministro do STF, milhões na rua? ‘Solta o Gilmar, solta o Gilmar’. Com todo respeito que tenho ao excelentíssimo ministro Gilmar Mendes, que deve gozar de imensa credibilidade junto aos senhores”, ironizou o deputado.

E o que disse Dias Toffoli, que assumiu a presidência do STF no dia 13 de setembro de 2018? Rigorosamente nada.

Um lembrete: Dias Toffoli, que foi indicado ao Supremo pelo ex-presidente Lula, disse, já como presidente da Corte, que não gosta de usar a expressão “golpe de 1964”, mas “movimento de 1964”.

A ver até que ponto as agressões ao STF, aos seus ministros, que são agressões ao Poder Judiciário, e à Carta Magna precisarão chegar para que haja alguma manifestação do presidente Dias Toffoli.

Abaixo, o vídeo do presidente Bolsonaro em que ele ataca o STF e outras instituições:

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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