Presidência do Senado pode resgatar prestígio político de MG no cenário nacional

Senadores Rodrigo Pacheco (MG), Simone Tebet (MS), Major Olímpio (SP) e Jorge Kajuru (G0) disputam a presidência do Senado. Foto - Geraldo Magela/Agência Senado

Senadores Rodrigo Pacheco (MG), Simone Tebet (MS), Major Olímpio (SP) e Jorge Kajuru (G0) disputam a presidência do Senado. Foto - Geraldo Magela/Agência Senado

Com um conjunto de apoios que vai do PT de Lula ao presidente Jair Bolsonaro, o senador mineiro Rodrigo Pacheco (DEM) vai se consolidando como favorito para presidir o Senado. Somados os votos dos 9 partidos que o apoia formalmente e mais algumas dissidências em outras legendas, os articuladores de sua campanha apostam que ele teria hoje 54 votos.

É mais do que suficiente para assegurar a vitória. E, caso ocorra, pode dar a Minas Gerais algum protagonismo na política nacional, que deixou de existir já faz bastante tempo. O papel de grande articulador e defensor dos interesses de Minas no Planalto Central costuma ser o governador do Estado. Mas o atual, Romeu Zema (Novo), não é do ramo, não demonstra apetite e nem tem habilidade para tal.

Como presidente do Senado, o senador Rodrigo Pachecoanunciou quais serão suas principais pautas: saúde pública, por conta da pandemia do novo coronavírus, por óbvio; desenvolvimento social, visto que a desigualdade no país é vergonhosa e o número de pessoas abaixo da linha da pobreza só aumenta – quadro também agravado pela Covid-19; e crescimento econômico, tema imprescindível num país que tem cerca de 14 milhões de desempregados (outro número impactado pelo coronavírus).

Desprestígio

A discussão desses temas, que não pode prescindir de autoridades do governo federal, como o próprio presidente da Republica e ministros de Estado, como o da Economia, bem como de governadores de Estado, dará ao mineiro Pacheco, como presidente do Senado, um dos papéis principais nesse enredo.

O desprestígio político de Minas tem trazido prejuízos evidentes para o Estado, que deixou de ter o poder de pressão sobre o Poder Central em defesa de interesses mais urgentes da população do Estado. Dois exemplos: a duplicação da BR-381, a rodovia da morte, que anda a passos mais lentos do que tartaruga, e a ampliação do Metrô de Belo Horizonte, que se transformou numa novela sem fim.

Para exercer esse protagonismo, entretanto, Rodrigo precisa garantir a vitória. E para ser eleito, o candidato tem que obter pelo menos 41 votos, que é a metade mais um dos 81 senadores da Casa. Apadrinhado do atual presidente da Casa, David Alcolumbre (DEM-AP), o mineiro já assegurou o apoio de 9 partidos: DEM, PT, PP, PL, PSD, PSC, PDT, Pros e Republicanos.

Matematicamente, Rodrigo já teria votos suficientes para garantir sua eleição. Mas a aritmética na política é diferente. O senador Esperidião Amin (SC), por exemplo, é do PP que decidiu ficar com Rodrigo, mas ele já anunciou que seu voto é para a candidata do MDB, a senadora Simone Tebet (MS).

Traições

Mas entre os apoiadores do mineiro, há quem aposte que ele terá o voto de pelo menos três senadores do MDB, partido que tem a maior bancada na Casa, com 15 senadores. Como o voto é secreto, as traições, o que vale para todos os candidatos, são praticamente inevitáveis.

Há ainda outro componente: Tebet é abertamente a favor da prisão de condenados em segunda instância, pauta defendida pela operação Lava Jato e pelo ex-juiz Sérgio Moro. E muitos de seus colegas de bancada, alvos da República de Curitiba, são claramente contra. Casos, por exemplo, de Renan Calheiros (AL) e Jáder Barbalho (PA).

Além de Rodrigo Pacheco e Simone Tebet, anunciaram também que serão candidatos à presidência do Senado os senadores Major Olimpio (PSL-SP) e Jorge Kajuru (Cidadania-GO).

Se Rodrigo Pacheco for eleito, Minas Gerais vai voltar a presidir o Senado depois de 44 anos. O último mineiro a ocupar o cargo foi Magalhães Pinto, em 1977.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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carlos Veriano

Não vejo mérito algum n o Sr. Rodrigo Maia. apoiador do bolsonarismo , deu voto favorável ao golpe contra Dilma e nunca mediu esforços para acabar com as farras de gastos dos do Senado e congresso nacional. Por ser mineiro não qualifica para o cargo muito menos para liderar uma bancada de Estado que canhestra e incompetente, veja os últimos senadores que assumiram ( de contraventores a jornalistas de meia pataca que nada moveram a favor de minas até hoje. Magalhaes Pinto o ultimo a presidir foi um dos articuladores do golpe de 1964, Udenista e arenista de carteirinha!