Após as declarações desconectadas da realidade e até do bom senso, o governador Zema (Novo) conseguiu unir a direita e a esquerda contra ele próprio. Um dia depois de sua participação no Roda Viva, programa nacional de entrevistas, Zema foi alvo de intenso tiroteio no plenário da Assembleia Legislativa. Apanhar em casa não foi um bom começo de campanha presidencial.
Por não serem “beliscosos”, como se autodefiniu o governador, nenhum aliado o defendeu. Ou, quem sabe, pratica o apoio envergonhado diante de falas excludentes e estapafúrdias. Apenas um deputado da oposição, Professor Cleiton (PV), usou 199 adjetivos para desqualificar a inteligência do presidenciável. “Se eu tivesse contado, teria acrescentado Zé Ruela para chegar aos 200”, disse Cleiton, que ficou longe de ofensas da direita que chamou o governador de “canalha”.
Chiqueiro humano
O que disse Zema de tão grave? Comparou pessoas em situação de rua a “chiqueiro humano” e cobrou da turma dos direitos humanos uma solução, embora seja ele o governador. Em janeiro de 2024, Zema vetou emenda de R$ 1 bilhão para o Fundo de Erradicação da Miséria, criado com essa finalidade por meio do aumento do ICMS a produtos supérfluos, com armas e bebidas.
Zema também irritou a extrema direita quando disse que não é próximo de Bolsonaro, apesar de ter sido eleito, reeleito e ainda busca nele amparo para as eleições de 2026. Uma semana antes, um dos filhos do ex-presidente o chamou de “rato” por lançar a candidatura no momento em que o pai está para ser julgado pela trama golpista.
Padre Kelmon
Até o ex-prefeito de BH e candidato derrotado por Zema em 2022, Alexandre Kalil, se aproveitou do bombardeio. Em entrevista ao portal Divinews, comparou a pretensão presidencial de Zema à do Padre Kelmon, que disputou a eleição em 2022. Sobre a própria pretensão em ser governador, Kalil alfinetou até o PT, ao dizer que quer acabar com o desgoverno que “há 12 anos” afeta Minas.
Valadares vai para o PSD
O ex-secretário de Governo e ex-líder de Zema na Assembleia, Gustavo Valadares (PMN), será o primeiro aliado do vice-governador e pré-candidato a governador, Mateus Simões, a filiar-se ao PSD. Ele se antecipa ao próprio Simões que tem negociado a troca do Novo por esse partido, que tem o senador Rodrigo Pacheco como pré-candidato a governador.
Deputado até dezembro
Eleito conselheiro do Tribunal de Contas, nessa quarta (27), por 66 votos a zero, Alencar da Silveira deixará a Assembleia Legislativa somente em dezembro, quando tomará posse. Até lá, irá visitar suas bases para agradecer pelos votos que o fizeram deputado por mais de 30 anos. Além disso, tentará transferir o capital eleitoral para aliados. A partir dessa definição, outros cinco deputados abrem campanha para a segunda das três vagas do TCE destinadas a deputados.
Prazos de adesão ao Propag
Membros da bancada federal mineira, entre eles, Rogério Correia (PT), reuniram-se, em Brasília, com técnicos do BNDES e do Ministério da Fazenda para tentar ampliar os prazos de adesão de Minas ao Propag (programa de renegociação da dívida de Minas com a União).
A medida é necessária para que o BNDES faça a avaliação da estatal mineira, Codemig, que será federalizada em favor do abatimento da dívida de R$ 170 bilhões. Após o encontro, vão sugerir a edição de uma nova medida provisória e que o próprio governo mineiro apresente suas avaliações dos ativos.
Juiz venceu o traficante
Dr. Eli Lucas de Mendonça morreu de morte natural e foi sepultado, nessa quarta (27), em BH. Sobreviveu a inúmeras tentativas de assassinato, a maioria delas ordenadas pelo mega traficante Fernandinho Beira-Mar, braço do narcotráfico colombiano no Brasil.
Durante anos, o destemido dr. Eli foi juiz único da Vara de Tóxicos da capital, quando enfrentou o crescente tráfico de drogas e condenou grandes criminosos, entre eles, Beira-Mar, em 1996, a 30 anos. Sua atuação obteve sucesso na contenção do tráfico. O criminoso permanece detido em presídio federal após várias fugas.
Por conta das ameaças de morte, o magistrado chegou a “morar” por 30 dias no Fórum Lafayette, em BH, sob forte escolta policial. Mais tarde, virou desembargador e se aposentou, levando vida tranquila e pacata. A atuação do magistrado é contada no filme “Foro íntimo”, que narra a rotina de juízes que viviam sob ameaças.
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