Refém das redes, Zema ignora comunicação e abre espaço a Kalil

Zema grava mensagem de fim de ano, reprodução Facebook de Romeu Zema

Perto de completar o primeiro ano de gestão, o governador Romeu Zema (Novo) ainda não conquistou o êxito tão esperado e desejado por quem o elegeu. Apesar do esforço contábil no controle das contas públicas, ele encerra o ano repetindo o insucesso de seu antecessor, Fernando Pimentel (PT). Como o petista, não conseguiu honrar os compromissos com os salários dos servidores. O pagamento em dia dos salários e do décimo terceiro é um dos principais indicadores da saúde financeira de uma empresa e de um governo. É o primeiro compromisso. Caso contrário, os sinais são de que a situação ainda é a mesma, sem sinais de melhora ou piora.

O direito ao décimo terceiro, por exemplo, é um direito básico, sabido desde o primeiro ao último dia do ano. Ainda assim, os governantes não o priorizam, pior, descumprem. Neste ano, além de parcelar novamente a gratificação natalina, parte dos servidores estaduais, ou 40% deles ainda não sabem quando irão recebê-la. Aí, chegamos a outro direito afetado, o da isonomia. Por razões óbvias, pode trazer, e vai trazer, problemas de ordem judicial.

Não atinge os 21 milhões de mineiros

E também de ordem política, desgaste para o governo, que poderá até esconder ainda mais suas eventuais realizações. Para agravar, o governo não faz comunicação com os cerca de 21 milhões de mineiros. Usa as redes sociais que têm alcance limitado e que costumam falar apenas para alimentar a própria torcida. Não amplia os torcedores.

Até mesmo a mensagem de fim de ano de Zema, desejando felizes Natal e Ano Novo, se parece mais como a de um cidadão comum. Não com a de que alguém investido na possibilidade de mudar destinos em vez de desejá-los. Não fez balanço do que fez nem reforçou a esperança que depositam nele.

Falta a ele acreditar em uma comunicação institucional e amplificada, sustentada em pesquisas bem-feitas. Pesquisas que não tenham a preocupação com o marketing, mas para, principalmente, saber se os mineiros estão compreendendo ou não suas propostas.

Indicadores perigosos para continuidade

De acordo com os últimos números divulgados, Zema teria aprovação razoável, ou de 53,7% (segundo o instituto Paraná do início deste mês), de sua gestão, o que é muito pouco para a aprovação eleitoral que recebeu. E um indicador perigoso para quem deseja a reeleição.

Governar é diferente, sim, traz desgastes, mas bem diverso de fazer campanha. Não basta sair por aí cumprimentando eleitores e falando para as redes sociais, onde, sabemos, convivem o real e falso, o chamado fake News.

No vácuo deixado, Kalil crescerá

Pelo rumo das coisas, Zema vai facilitando os argumentos da oposição, que irá, com certeza, estabelecer os contrapontos. O principal beneficiado disso deve ser o prefeito de Belo horizonte, Alexandre Kalil (PSD), que já confirmou que pretende buscar um novo mandato nas eleições do ano que vem.

De acordo com aliados, a aprovação de sua gestão (73% segundo o mesmo instituto e período) será aliada. Junto disso, fará contraponto à gestão de Zema, para pavimentar uma futura candidatura a governador em 2022. Está muito longe ainda, mas parece que o momento é sempre de construção e planejamento.

Ouça aqui o áudio de Zema para o fim de ano

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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