Pressão de policiais por reajuste deixa indefinida data do 13º salário

Lideranças dos servidores da área de segurança prometem vigilância, reprodução Facebook de Domingos Sávio de Mendonça

Ao fazer acordo com a Assembleia Legislativa pelo pagamento do 13º salário dos servidores, e não definir data, o governo Zema (Novo) teve um objetivo. O de reduzir a pressão dos policiais militares e civis e agentes penitenciários por reajuste de 28%. Na próxima segunda (18), termina a trégua acertada com a categoria para apresentar a contraproposta. As entidades dos servidores da segurança reivindicam reajuste de 28%, referentes às perdas salariais dos últimos quatro anos.

Na mobilização feita em setembro passado, eles conseguiram arrancar do governo o reconhecimento das perdas e promessa de reposição. Com dificuldades para pagar o 13º salário e acabar com o parcelamento dos salários, o governo apresenta dois obstáculos para atendê-los. Primeiro, diz que não tem dinheiro em caixa. Segundo, porque não quer atender a uma só categoria, provocando pressão por isonomia e gerando efeito cascata.

Governo teme reações de policiais

No entanto, o governo receia pela reação e manifestações de policiais, que prometem paralisações e bloqueios de vias públicas. Como efeito, o colapso da área de segurança pública. Por isso, o governo quer ganhar tempo, contando que a quitação integral do 13º salário e a regularização dos salários acalmariam a tropa.

Pelo acordo com a Assembleia, os deputados deverão votar até o dia 18 de dezembro, último dia do ano parlamentar. Podem, no entanto, antecipar a tramitação para atender aos prazos do governo. Secretários argumentam que precisam de três a quatro semanas para operar na bolsa de valores a negociação dos royalties do nióbio. A operação é o principal meio pelo qual, conforme o projeto, o governo mineiro espera pagar o 13º salário integral do funcionalismo.

Como o governo esperar arrecadar cerca de R$ 5 bilhões, sobraria dinheiro para colocar em dia o pagamento dos salários. Assim, poria fim ao parcelamento dos salários e voltando a pagá-los até o 5º dia útil.

Policiais são convocados para manifestações

Pelas redes sociais, algumas lideranças dos militares estão convocando a tropa para se concentrar diante da Cidade Administrativa no dia 18. Está prevista reunião dos secretários da área econômica com as lideranças de entidades na sede do governo estadual.

Em sua página no Facebook, o líder parlamentar da categoria, deputado Sargento Rodrigues, acusa obstrução na Assembleia pela votação do projeto do 13º. “Todas as categorias serão beneficiadas e não apenas uma, como alguns insistem em insinuar. Acusam este deputado de querer acelerar a tramitação para agir em causa da classe que represento”, criticou Rodrigues. Por sua vez, convocou os servidores para pressionarem os deputados em outra data, durante audiência pública sobre o projeto do 13º no próximo dia 20.

Zema pagará 13º em dezembro; fim do parcelamento pode ficar para janeiro

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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