Gerdau e Usiminas dão recados  - Além do Fato Gerdau e Usiminas dão recados  - Além do Fato

Gerdau e Usiminas dão recados 

  • por | publicado: 26/02/2026 - 14:34

Imagem ilustrativa da linha de chapas grossas da Gerdau Açominas, em Ouro Branco (MG) - Foto: Gláucia Rodrigues/ Divulgação Gerdau/Relatórios 2016

Primeiro, acionistas da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) decidiram pular do real para o dólar como moeda funcional. Depois, acionistas da Gerdau S.A., que usa o slogan “o futuro se molda”, abriu pacote de cancelamento e recompra de mais ações do capital próprio. 

Claro, isso não ocorre por acaso. A Usiminas, por exemplo, amargou, em 2025, prejuízo líquido de R$ 2,910 bilhões, revertendo, portanto, o lucro de R$ 3,362 bilhões no exercício anterior.

Usiminas reclama da China 

A trilogia das explicações da Usiminas é antiga, sempre que precisa justificar desastres nas prestações de contas aos acionistas. A companhia se queixa contra a presença massiva de aços importados, principalmente da China. Os chineses, consta dos relatórios anuais da empresa, carregam no vício do dumping nas exportações: vendas do produto abaixo do preço de custo.  

“De acordo com o presidente da Usiminas, Marcelo Chara, a pauta mais urgente na siderurgia ainda continua sendo a importação de aço chinês. ‘As investigações antidumping confirmam a urgência de serem implementadas medidas efetivas de defesa comercial em relação às importações de produtos subsidiados. O Governo tem reagido positivamente, como a decisão de elevar o imposto de importação para nove produtos siderúrgicos. Esse é um importante passo para nivelar o jogo e fortalecer toda a cadeia de valor da indústria brasileira’, afirma”. Esse um trecho do conteúdo de release da siderúrgica na divulgação dos resultados, em 13/02. 

Gerdau age pelo acionista 

A Gerdau não registra gestão de turbulências cíclicas como a de acionistas controladores da Usiminas. Na companhia mineira, uma ex-estatal federal, japoneses e argentinos viveram longo período de disputas, atingindo os minoritários.  

Sempre de capital privado e controle familiar, ajustado e disciplinado, o Grupo Gerdau, com sede em Porto Alegre (RS), aplica visão de mercado à frente de mudanças. Por isso, conseguiu, de forma estratégica, sem lamentos, sobrevida sólida nesta fase de tarifaços desajustadores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano). 

Recomprará mais 1,4 milhão de ações

O Conselho de Administração, reunido na segunda (23/02), decidiu que a holding Gerdau S.A. poderá cancelar 8,1 milhões de ações, entre ordinárias (7,7 milhões) e preferenciais (418 mil). Além disso, abrir o “Programa de Recompra 2026”, para outro lote de 1,496 milhão (55 mil preferenciais e 1,441 milhão de ordinárias).

Valorizar capital dos acionistas

A destinação dessa recompra abrange desde a manutenção dos paéis em tesouraria, cancelamento até retorno das ações ao mercado (oferta pública). Na justificativa aprovada pelo CA da Gerdau está se posicionar para “maximizar a geração de valor a longo prazo para o acionista por meio de uma administração eficiente da estrutura de capital e atender os programas de incentivo de longo prazo da Companhia e de suas subsidiárias”.  

O acionista, claro, valoriza seus papéis quando eles são lastros de ativos produtivos. Pode-se, portanto, esperar por eventual comunicado da Gerdau com interesse em oportunidade de novos ativos no mercado – país ou exterior. Veja AQUI o Fato Relevante divulgado aos investidores.

Resultados da Gerdau em 2025

Para o exercício encerrado em 30 de dezembro 2025, a Gerdau exibiu balanço consolidado de resultados de com receitas líquidas de R$ 69,858 bilhões. Crescimento nominal, portanto, de 4,22% sobre 2024. Entretanto, o resultado financeiro negativo R$ 1,214 bilhão, pressionou perda de 69,1% no lucro líquido: de R$ 4,599 bilhões para R$ 1,418 bilhão.  

Gerdau é um grupo siderúrgico integrado de aços planos e não planos e produtos trefilados. Também é verticalizado, ou seja, possui abastecimento próprio de minério de ferro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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