Depois da pizza Lulinha (INSS), corrida pelos votos da Agrishow - Além do Fato Depois da pizza Lulinha (INSS), corrida pelos votos da Agrishow - Além do Fato

Depois da pizza Lulinha (INSS), corrida pelos votos da Agrishow

  • por | publicado: 30/03/2026 - 16:12

Congresso se rendeu à pizza do Planalto na CPMI do INSS. Isso deverá encorajar Lula a encarar palco do empresariado do agribusiness, a Agrishow - Crédito: Agência Brasil

Nos três primeiros anos da gestão Lula-3, o empresariado do agribusiness manteve viva a tendência pelo bolsonarismo. Isso colocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) distante da porteira das feiras anuais da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).

Agrishow é a principal feira de tecnologia de maquinário para o agronegócio da América Latina, e uma das maiores do mundo. Nesta edição, com a tradicional exibição de máquinas e tecnologias digitais e de serviços de última geração, será de 27 de abril a 1º de maio.

Lula deixou Bolsonaro reinar na Agrishow

Em 2023 e 2024, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), literalmente, imperou nas feiras. Lula não baixou lá, optando por evitar vaias e constrangimento em público que, sabidamente, lhe era desfavorável. No ano anterior, em campanha pela reeleição (perdida para Lula), Bolsonaro desfilou montado em cavalo branco.

Bolsonaro não foi à Agrishow de 2025. Apesar do caminho liberado, Lula se deixou representar pelo vice Geraldo Alckmin (PSB-SP). O petista usou como álibi da viagem à Roma (Itália), para os funerais do Papa Francisco. A feira da Agrishow, todavia, dura uma semana. Ou seja, teria outra data.

O motivo do chefe do Planalto, todavia, seguia pautado na relação delicada entre o Governo do PT e o mundo do agronegócio.

Agrishow 2026 não terá Bolsonaro. Condenado à reclusão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no processo da “trama golpista”, cumpre prisão domiciliar, em caráter especial. Ele foi condenado em 11 de setembro, a 27 anos de prisão.

A porteira, então, está aberta para Lula arriscar seu discurso eleitoreiro em palco do empresariado do agribusiness. Agrishow é território dominado por plantadores de lavouras de soja, milho e algodão.

Pedra da CPMI INSS

Lula, porém, seguiu administrando imbróglio particular na sala da CPMI do INSS. A investigação conjunta da Câmara dos Deputados e Senado, em cima de relatórios da Polícia Federal (PF), apurava roubos nos contracheques dos benefícios de aposentados e pensionistas. Tolerados pelo Ministério da Previdência, pelo Governo Federal, subtraíram dos aposentados R$ 6,3 bilhões – cálculo oficial inicial do próprio Planalto.

Lulinha fisgado pela PF

O empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do chefe do Planalto, foi citado, indiciado e teve quebra de sigilo aprovada na CPMI do INSS. O conjunto da obra, pois, virou pedreira para os discursos inflamados do pai nesta campanha pela reeleição. Aí, o ministro Gilmar Mendes, do STF, surgiu como salvador da pátria petista: derrubou a quebra de sigilo e blindou Lulinha.

Tropa do Planalto assou a pizza

No embalo do Gilmar, o Planalto exonerou até um ministro para votar a derrubada de tópicos que tiravam o sono de Lula. E veio, então, sem novidades, uma pizza gorda (4.000 páginas e mais de 200 indiciados), encerrando as águas de março. Desta vez, uma CPMI sem relatório final, encheu barrigas alheias ao PT e base aliada. Deram garfadas aliviadas políticos (com e sem mandatos) nos governos dos Estados e Prefeituras, lotados em leque elástico de partidos.

Noves fora, sobrou Trump

Mas, ainda resta o fator Donald Trump. Desde a posse, em 20 de janeiro de 2025, o presidente dos Estados Unidos está atravessado na goela e o caminho de Lula. O petista não soube, a exemplo do mundo, agir com diplomacia para negociar os tarifaços alfandegários de Trump, aplicados no 1º trimestre de 2025.

Sequestro e prisão do amigo Maduro

Para agravar, em janeiro último, o chefe da Casa Branca ordenou invasão à Venezuela. Os militares sequestraram o então ditador chavista Nicolás Maduro. Segue preso nos EUA. Maduro é amigo fraterno de Lula, que esperneou, seguindo a bula do PT. A atitude aumentou, portanto, seu desgaste político com os empresários da agricultura e pecuária.

Diesel caro para colheita de grãos

Mas não ficou só nisso. Trump abriu a guerra conjunta de Israel-EUA contra a ditadura do Irã. Os ataques resultaram em altas na cotação do petróleo internacional. No Brasil, veio a especulação de sempre nos preços dos combustíveis. De quebra, há uma ameaça de escassez de óleo diesel. A poeira encobriu de incertezas as lavouras, em plena colheita de grãos (excluído o café).

Não vai cortar gastos

Lula, portanto, se arriscar um palanque na abertura oficial da Agrishow 2026, precisa assegurar antes tanques cheios das colheitadeiras, tratores e carretas envolvidosna safra 2025/2026. Por enquanto, tenta empurrar metade da fatura para cima dos governadores. O Planalto exige dos Estados a renúncia de naco no imposto sobre a importação de diesel. Mas, nem pensar em cortar gastos do Governo Federal, cabos eleitorais de peso.

Dia do Trabalho

No 1º de maio, Dia do Trabalho, em 2024, Lula foi ao ABC Paulista e voltou bravo para Brasília. Não gostou de ver poucos “companheiros” mobilizados para aplaudi-lo. Por birra, ficou de fora em 2025.

Evitar Tarcísio na Agrishow

Em ano eleitoral, a coisa muda e Lula aceita convites até palanques em sonho. É provável que apareça nas duas praças, de Ribeirão Preto e São Bernardo do Campo.

Mas, claro, na Agrishow, sem coincidir com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). Tarcísio concorrerá à reeleição. Fernando Haddad (PT-SP), ex-ministro da Fazenda, deverá ser seu principal adversário. É esperar!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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