Agropecuária de Minas destrói a Mata Atlântica

  • por | publicado: 01/06/2023 - 13:42 | atualizado: 05/06/2023 - 15:30

Imagem ilustrativa de desmatamento em área da Mata Atlântica na região do Caparaó, divisa MG-ES. Imagem foi de flagrante realizado pela Polícia Militar Ambiental do Espírito Santo, em setembro de 2020 - Foto PM Ambiental/Divulgação

  • Mata Atlântica teve seu dia, em 27 de maio; vem o 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente

O relatório da SOS Mata Atlântica 2022, completo e cartesiano nas informações, exibe dados alarmantes nas continuadas ações criminosas da agropecuária naquele bioma. Os levantamentos são baseados em dados do Sistema de Alerta de Desmatamentos (SAD) na Mata Atlântica.

Dentro do relatório, no portal da ONG, estão dados da última edição (maio) do Atlas da Mata Atlântica. Esse atlas é resultado da parceria da Fundação SOS Mata Atlântica com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

O portal Plurale , publicação especializada em questão ambiental, reproduziu o denso material da fundação. Aponta, por exemplo, que o bioma natural da Mata Atlântica foi suprimido em 20.075 hectares entre os meses de outubro de 2021 e de 2022. Houve, portanto, queda de 7% na relação com doze meses anteriores (21.642 ha). Mas, não é para se festejar, pois, existiu o crime.

O Atlas foi apresentado na data de comemoração do Dia Nacional da Mata Atlântica, 27 de maio.

Minas Gerais lidera o ranking desse crime. E sempre atividades da agropecuária são a principal causa. Daquele “desflorestamento”, 91% concentrados em cinco estados:

  • Minas Gerais (7.456 ha);
  • Bahia (5.719 ha);
  • Paraná (2.883 ha);
  • Mato Grosso do Sul (1.115 ha); e,
  • Santa Catarina (1.041 ha).

Desmatamento da Mata Atlântica em Minas gera “crédito”

Um terço dos crimes, conforme o Atlas, concentrados em 10 municípios de Minas Gerais (5), Mato Grosso do Sul (1)l e Bahia (4). Os mineiros são: São João do Paraíso (544 ha), Araçuaí (470 ha), Francisco Sá (402 ha), Capitão Enéas (302 ha) e Gameleiras (296 ha).

Acesse AQUI a íntegra da informação da nova edição do Atlas.

Metodologias diferentes e confusão para leigo

Não é simples, entretanto, entender levantamentos comparados sobre a Mata Atlântica. O leigo pode se perder. Há, em conteúdos do Atlas e do Relatório da SOS Mata Atlântica, informações que parecem divergentes. Entretanto, estão nos documentos. Por exemplo: intervalos de áreas desmatadas, citadas por um, que superam a do período todo analisado pelo outro.

O Relatório da Fundação SOS, na página 36, por sua vez, informa que, nos dez primeiros meses de 2022, o Brasil destruiu 48.660 ha em áreas naturais da Mata Atlântica. Ou seja, isso é mais que dobro do apresentado no Atlas para período que contém o intervalo janeiro-outubro.

Mas, essa divergência (para o leigo), conforme explicou uma fonte, se deve à aplicação metodologias diferentes. A assessoria da SOS Mata Atlântica, em consulta feita ontem (31/05) pelo ALÉM DO FATO, endossou: “são duas metodologias”.

De quebra, há uma terceira amostragem. E aqueles que não convivem ambientes da Fundação SOS e INPE podem dançar. “Para também marcar o Dia da Mata Atlântica, o SAD lança um levantamento dos desmatamentos identificados entre janeiro e dezembro de 2022. Foram registrados 9.982 alertas no ano, somando 75.163 hectares perdidos, entre florestas maduras e jovens. A área total perdida, portanto, é quase 4 vezes maior do que a contabilizada pelo Atlas, ameaçando tanto as matas jovens quanto as maduras do bioma (sic)”.

O trecho reproduzido é do mesmo conteúdo sobre os 20.075 ha. Está no release “Dados inéditos mostram que desmatamento é ainda uma ameaça à Mata Atlântica”.

Agricultura não se curva à preservação da Mata Atlântica

Com raras alternâncias trimestrais, os mesmos estados citados acima lideram os crimes contra a Mata Atlântica. O ranking, dentro dos 48.660 ha destruídos, informa o Relatório 2022, era o seguinte: Bahia (15.814 ha), Minas Gerais (14.439 ha) e Piauí (6.232 ha). “… tiveram a agricultura como o principal vetor para o desmatamento (86,4,%)”, frisa o relatório.

Saiba quais municípios de Minas Gerais mais destroem

De janeiro a junho de 2022, os “destaques” nos desmatamentos ficaram com a Bahia, Minas Gerais, Paraná, Piauí e Santa Catarina. Essas cinco unidades da federação responderam por 81% dos crimes. O perfil desse descalabro envolveu basicamente dois setores econômicos: agricultura (agropecuária), com 90,5%, e, expansão urbana (imobiliária), 4%.

Mas, é alarmante também a informação do Atlas para o levantamento 2021-2020. Dos 21.642 ha desmatados, 27% foram em dez municípios de Minas Gerais, Bahia, Paraná e Mato Grosso do Sul. A “liderança” estava com o município de Baianópolis (BA), que suprimiu1.686 ha.

Saiba AQUI em quais municípios de Minas Gerais a agropecuária mais destrói a Mata Atlântica.

Mas, cadê os condomínios fechados da RMBH?

O SAD Mata Atlântica adota o seguinte critério nos levamentos: trabalha dados para boletins trimestrais e consolida em relatórios semestrais. “… o trabalho tem identificado novos padrões de desmatamento, a partir de uma metodologia que considera a perda de áreas naturais a partir de 0,3 hectares”.

Dentro desse critério, então, não ficaria de fora o universo de condomínios fechados na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Principalmente aqueles localizados em Nova Lima, Raposos, Rio Acima, Itabirito, Brumadinho, Belo Vale, Moeda e Bonfim. Há tempos, entretanto, não se notícia crimes ambientais neles. Parece, portanto, haver proibição à fiscalização do Ibama (União) e Feam (Governo de Minas).

O relatório observa que período 2020-2021 “a maior parte dos desmatamentos (35%)” ocorreu em áreas acima de 3 ha.

Informação unificada resolveria

O leitor, então, deve se perguntar: se a Mata Atlântica é uma só, está lá para todos, o calendário civil anual é um só, por que, então, Fundação e INPE não divulgam informação única e dentro de mesmo período? Ou seja, preservem as metodologias, mas evitem confusão para o leigo. Além disso, evitaria palanque para agropecuaristas que estão destruindo o bioma.

Mas, vamos em frente. Fundação SOS e INPE são instituições respeitáveis, executam pesquisas relevantes e são dignas de fé.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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