Bradesco perde conta da Terra Santa Agro para BTG

Banco BTG Pactual assume nesta segunda (09/12) o comando de formador de mercado para as ações da Terra Santa Agro, posto que era do Bradesco - Foto: Reprodução / Facebook

Terra Santa Agro S.A, companhia com ações na B3 (Brasil, Bolsa Balcão) trocou de formador de mercado: saiu a Bradesco S.A Corretora de Títulos e Valores Mobiliários, entrou a BTG Pactual Corretora de Títulos e Valores Mobiliários. A empresa fez comunicado na sexta (06/12).

Com plantios em Mato Grosso, Terra Santa é uma das maiores produtoras e beneficiadoras de grãos (soja, milho e feijão), fibras (algodão) do país. Mesmo assim, exibe desempenho financeiro negativo neste ano. Os gestores atribuem à má fase a pressão da variação cambial, até o final do terceiro trimestre (ver abaixo).

A BTG Pactual, portanto, assume o posto da Bradesco, nesta segunda (09/12), com a missão de tornar realidade o sonho dos acionistas daquela agro: “fomentar a liquidez de suas ações ordinárias”. Essa manifestação, no comunicado, é, porém, quase uma praxe nas trocas de formador de mercado.

Mas o Bradesco não está sozinho em substituições assim. Recentemente, a PetroRio (PRI03) também renovou o posto formador de mercado. Chamou nada menos que o Credit Suisse CTVM. “A contratação deste novo formador de mercado tem o objetivo de fomentar a liquidez das ações ordinárias de emissão da companhia”, justificou a PetroRio ao anunciar (14/11) o encerramento do contrato da Genial Institucional CCTVM. A PetroRio é empresa de participação do segmento óleo & gás (exploração, refino e distribuição).

Perdas com a variação cambial

Comparados os nove primeiros meses do atual exercício com igual período de 2018, a Terra Santa apresentou queda de 6,1% na receita líquida, para R$ 780 milhões. Por sua vez, o EBTIDA (resultado antes do recolhimento dos impostos) ajustado retroagiu 36,4%, para R$ 170,2 milhões. No final da contabilidade, o resultado líquido foi negativo R$ 62,1 milhões, contra lucro de R$ 31 milhões, em 2018.

A empresa, contudo, não vê problemas operacionais. Prefere vincular aquele resultado ao impactado cambial sobre a rubrica hedge accounting, com saldo negativo R$ 85,7 milhões – perdas com a proteção para variação cambial na comercialização de commodities. Somente no último trimestre, perdas de R$ 33,3 milhões.

Contudo, a despeito do fraco desempenho, a Terra Santa conseguiu uma leve redução (2,2%) no nível do endividamento, de R$ 947 milhões para R$ 926,4 milhões, 3TRI18/3TRI19. Mas, se computar as dívidas com fornecedores, Governo e clientes, a redução foi maior, de 6,3% – de R$ 1,241 bilhão para R$ 1,163 bilhão. A empresa destacou no informe trimestral, que 90,5% da dívida financeira têm custo de 6,5% ao ano.

Prejuízos acumulados de R$ 1,7 bi

Mas, se, por um lado, no mercado os resultados não são bons, a empresa o patrimônio líquido no lugar, com ligeira variação positivamente de 2,4%, para R$ 962 milhões. No final de setembro, as ações do seu capital tinham valor de mercado, na Bolsa, de R$ 362,5 milhões. No fechamento do pregão de sexta-feira (06/12), os papéis da companhia (TESA3) estavam cotados a R$ 14,63, com variação de +0,15% (+1,03%, véspera).

O capital da Terra Santa é formado apenas por ações ordinárias. Seus acionistas principais são o Bonsucex Holding (17,47%), Laplace Investimentos (22,98%), Gávea Investimentos (8,39%), Darci de Araújo (0,15%), Sílvio Tini de Araújo (24,82%) e outros (26,18%). A companhia, contrariando grandes grupos do segmento agro, não tem acionista controlador e, atualmente, possui 7.291.617 ações ordinárias em circulação no mercado.

Na sequência dos fatos da sexta-feira, a 4UM Gestão de Recursos informou que fundos administrados por ela fizeram aquisições de ações de emissão de Terra Santa. Agora, portanto, passaram a deter 1.093.603 ações, ou seja, 5,05% do total das emissões da empresa.

Em 30 de setembro, o capital social da Terra Santa, de R$ 2,757 bilhões, estava 1,9% acima do registrado no balanço de 31 de dezembro de 2018 (R$ 2,707 bilhões). Cresceu, portanto, abaixo da alta de 3,7% da conta dos prejuízos acumulados, que foi para R$ 1,720 bilhão.

O complexo UP Ribeiro do Céu da Terra Santa Agro, em Nova Mutum (MT). A desvalorização cambial prejudica desempenho da empresa com as exportações de commodities – Foto: Divulgação Terra Santa Agro

Latifúndio de R$ 1,2 bilhão

A empresa foi criada em 2003. Contudo, o crescimento só veio com incorporação na década seguinte: Brasil Ecodiesel, Maeda Agroindustrial (dezembro de 2010) e Vanguarda Participações (setembro de 2011). No seu portfólio de terras administradas estão 139,6 mil hectares (30/09/2019), sendo 52,4 mil há arrendados. As terras nuas valiam R$ 1,2 bilhão.

Para o plantio da safra 2019/2020, a “segunda intenção” revelada pela Terra Santa estima uma cobertura de 147.747 ha. Assim sendo, haverá queda de 5%.

  • Soja – 80.526 ha (91 mil ha, 2018/19);
  • Algodão – 40.114 ha de algodão (duas safras – 35,9 mil ha, 2018/19);
  • Milho – 23.748 ha (duas safras – 28,3 mil ha, 2018/19);
  • Feijão mungo – 3.359 ha (duas safras).

A produtividade da empresa, nesta safra, foi de 3.510 kg/ha com soja, 6.600 kg/ha (2ª safra) com milho, e, 4.319 kg/há, algodão em caroço.

Infraestrutura e frota (6 aviões)

Nos complexos denominados Unidades de Produção (UP), a Terra Santa tem sistemas próprios com capacidade estática de armazenagem para 191 mil toneladas. Além disso, possui ativos arrendados para 55,5 mil t. Exclusivamente para algodão, as instalações de beneficiamento e armazenamento de fardos têm capacidade para atender área plantada de 35 mil ha.

Para girar sete UP, todas em municípios diferentes, a Terra Santa opera frota de 469 equipamentos (307 próprios/162 de terceiros): 81 tratores (próprios), 81 plantadeiras (próprias), 40 pulverizadores (36/4), 6 aviões agrícolas (próprios), 157 colhedoras de grãos (77/80), 28 colhedoras de algodão (12/16) e 76 caminhões (14/62).

Dar sustentabilidade financeira para tudo isso, via mercado de Bolsa, é, então, o desafio transferido da Bradesco para o BTG Pactual.

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