Bradesco segue investindo em si mesmo; recompra ações

  • por | publicado: 25/12/2020 - 05:45 | atualizado: 26/12/2020 - 14:08

Bradesco autorizado a seguir com recompra das próprias ações do capital - Foto: Bradesco/Divulgação

O Banco Bradesco S.A. mantém posição singela em termos de ações do capital social em tesouraria. Do total de 4.435.106.575 ordinárias (ON) e 4.435.106.111 preferenciais (PN), em 17/12 estavam custodiadas pelo banco, respectivamente, 0,16% e 0,62%. Ou seja, 0,39% do capital total.

Pois bem. O Conselho de Administração do Bradesco aprovou a continuidade do programa de recompra. Serão até 15 milhões de ações – 7,5 milhões ordinárias e 7,5 milhões de preferenciais. A decisão é a de manter os papéis “em tesouraria e posterior alienação ou cancelamento”. Mas, definiu que a operação não implicará em alteração do capital social.

O Bradesco, com esse investimento nos próprios papéis, dá destinação à parte de suas Reservas de Lucros. Caberá à Diretoria definir o volume a ser comprado e a “oportunidade”. No entanto, deverá fazê-lo entre 28/12/2020 e 28 de junho de 2022.

Convém lembrar que, em junho de 2019, o Bradesco havia determinado recompra de ações em igual volume de agora. A autorização foi para ser tomada entre 27/06/2019 a 27/12/2020. Atualmente, o Bradesco tem em circulação (free float) 28,82% das ações ONs e, 97,13%, das PNs.

Recompras abrem oportunidades

Economistas que avaliam continuidade e/ou retomada de recompra de ações convergem nas tentativas de interpretar o que querem as companhias:

  • dizer ao mercado que é o melhor investimento de momento. E, também, transmitir confiança aos investidores;
  • que as ações estão abaixo do valor real e, portanto, é o momento de comprá-las.

Uma complementação para a o segundo recado seria que os investidores da Bolsa avaliam o preço das ações de forma equivocada.

Aspectos negativos

Mas, para uma companhia, recompra das próprias ações pode ter motivos específicos, como, por exemplo: redução na contabilidade de dividendos ou distribuição institucional entre executivos. Neste segundo caso, evitar emissão e aumento na diluição.

Todavia, uma recompra poderá afetar de forma negativa a liquidez dos papéis. Ainda na área da desconfiança, parecer que a companhia queima caixa por falta de opção em novos negócios como fusão e expansão.

Maior valor para os acionistas

A recompra seguida de cancelamento aumenta o direito individual de valores nos dividendos, pois, o número de acionistas diminui. Neste caso, o detentor da ação passou a ser dono de pedaço maior do capital. Por sua vez, a companhia reterá fatia mais expressiva do lucro.

Espera do melhor momento Na opção da custódia, a companhia poderá repetir mesma estratégia das tradings do agribusiness. No caso das commodities, mantêm o produto armazenado, aguardando a melhor cotação para ofertar. Ou seja, venderá com melhores margens.

Ativo de R$ 1,410 trilhão

Nos 9M20, o Bradesco registrou receitas (intermediação financeira) de R$ 57,362 bilhões. Portanto, queda de 23,4% comparadas ao mesmo período de 2019. A equivalência patrimonial foi negativa R$ 10,350 bilhões, isto é, aumento de 34,8%.

Todavia, contabilizou no final, de setembro, ativo total de R$ 1,410 trilhão, 22,9% acima do apresentado em 31 de dezembro. No patrimônio líquido, o crescimento foi de 41,8%, para R$ 19,235 bilhões.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.