Comgás se capitaliza de olho na privatização da Gasmig

  • por | publicado: 18/10/2019 - 22:38 | atualizado: 20/10/2019 - 01:20

Comgás capta R$ 2 bilhões em debêntures, enquanto Gasmig vive ao sabor do anúncio do governador Romeu Zema, de privatização da companhia - Fotos: Divulgação/Comgás e Gasmig

A Comgás é 100% privada, enquanto a Gasmig 100% estatal. São duas grandes companhias de distribuição de gás natural (doméstico e industrial) vivendo cenários de administração opostos. A Gasmig – Cia. de Gás de Minas Gerais parece sem rumo, por conta do propósito do controlador, Governo de Minas, de sua privatização.

O controle da companhia é 99,57% pertencentes à Cia. Energética de Minas Gerais (Cemig), do Governo de Minas, e, 0,43%, Prefeitura de Belo Horizonte (31/12/2018). Precisa de capital para investir em produtos nobres e crescer o leque de ofertas dentro do próprio mercado.

Enquanto isso, a Comgás – Cia de Gás de São Paulo, valsa no dinamismo do seu Conselho de Administração. Os gestores paulistas impõem, no momento, uma trajetória de substancial capitalização. A companhia emitirá R$ 2 bilhões em debêntures – 2 mil debêntures com valor nominal unitário de R$ 1 milhão. Datadas de 15 de novembro, serão debêntures simples, ou seja, não conversíveis em ações, e vencerão (resgate) em 15/10/2022.

Fazer reforço de caixa

O Conselho da Comgás definiu que os recursos captados sejam destinados “para reforço de caixa e outros fins especificamente destinados para atender aos negócios de gestão ordinária da companhia”. Está claro, portanto, que os conselheiros não desejam ter a companhia descapitalizada diante de eventual oportunidade de negócio.

A Comgás tem ativo total de R$ 9,147 bilhões (R$ 8,360 bilhões, 31/12/2018). No final do primeiro semestre, apresentou receita de vendas de R$ 4,398 bilhões (31/06/2019 – R$ 3,023 bilhões, 30/06/2018). O resultado líquido foi um lucro de R$ 562 milhões (R$ 293 milhões 30/06/2018).  

Comgás é controlada da Cosan

O controle do capital Comgás está com a Cosan S/A Indústria e Comércio: 98,52% (99,43% das ações ordinárias e, 95,24%, das preferenciais). Em 30 de junho, seu patrimônio líquido era de R$ 3,284 bilhões (20,7% a mais que no final de 2018). Daquele valor, R$ 2,036 bilhões (+23,4%) correspondiam ao capital social, representando por 103.862.768 ações ordinárias e 28.657.879 preferenciais.

A distribuição das debêntures da Comgás, que tem ações listas na Bolsa, será em mercado primário, via MDA (Modelo de Distribuição de Ativos). Contudo, a negociação se dará em mercado secundário, via CETIP21 (Títulos de Valores Mobiliários). As duas modalidades são administradas pela B3 S.A. (Brasil, Bolsa, Balcão). As debentures serão da espécie quirografária, ou seja, sem garantia real ou fidejussória ou qualquer segregação de bens da Comgás.

Os investidores serão remunerados em 100% da variação acumulada das taxas médias diárias do DI (depósitos interfinanceiros de um dia) – base 252 dias úteis. Incidirá, ainda, a sobretaxa de equivalente a 0,50%. A Comgás tem ações do capital listadas na B3 S.A. (Brasil, Bolsa, Balcão).

Gasmig tem capital 2/3 menor

A Gasmig, criada em julho de 1986, desde 2014 voltou ao controle do Governo de Minas, com a saída da Gaspetro (Petrobrás) do seu capital.

No balanço anual de 2018, a companhia teve receita operacional de R$ 2 bilhões e lucro líquido de R$ 433 milhões. O ativo somava R$ 1,585 bilhão. Do patrimônio, líquido de R$ 1 bilhão, o capital declarado respondia por R$ 665 milhões, portanto abaixo de 30% do apresentado pela Comgás. Todavia, tinha R$ 336 milhões em reservas de lucros.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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