Eletrobras e os bancos Itaú e Bradesco demitirão 7.300

  • por | publicado: 11/12/2019 - 00:51

Eletrobras detém 50% de participação na UHE Itaipu Binacional (joint venture com o Paraguai). Gera 14 mil megawatts (MW) – Foto: Alexandre Marchetti/Divulgação Itaipu Binacional.

Atrás dos dois maiores bancos privados do país – Itaú e Bradesco, pela ordem -, a Eletrobras puxa a fila das maiores demissões nesta metade de 2019. Até o dia 31, ao redor de 1.300 funcionários daquela holding federal serão desligados.

Aquele contingente de funcionários da Eletrobrás aderiu ao programa de demissão voluntária (PDV). As adesões ao PDV, porém, ficaram aquém do fixado pela administração, ou seja, 1.681. Mas permanece a meta da Eletrobras de começar 2020 com máximo de 12.500 funcionários. Porém, pelo que consta no último Acordo Coletivo de Trabalho, celebrado com patrocínio do Tribunal Superior do Trabalho (TST), elétrica terá o máximo de 12.088 funcionários ao final do 1º quadrimestre de 2020.

Gastarão R$ 5 bi em indenizações

Os PDVs da Eletrobras, Itaú e Bradesco, até então, têm sido tratados de forma isolada. Assim, portanto, podem não assustar. Mas, considerada importância econômica das empresas, as demissões em mesmo semestre fiscal assustam.

  • Bradesco – 3.500 demissões, gasto de R$ 2,1 bilhões;
  • Itaú – 3.500 demissões, gasto de R$ 2,4 bilhões;
  • Eletrobras – 1.300 demissões, gasto (para 1.681) de R$ 548 milhões.

Em agosto, a estatal previa que as demissões, até o dia 31, exigiram esforço de caixa de R$ 548 milhões. Contudo, ao longo do tempo, passaria a economizar entre R$ 490 milhões e R$ 510 milhões anuais com pessoal. As despesas da Eletrobras nessa rubrica representarão 1/5 da média do desembolso do Itaú e Bradesco.

Privatizar sem golden share

O Governo mandou para o Congresso, em 5 de novembro, o projeto de transferência do controle da Eletrobras para iniciativa privada. A companhia tem ações do capital social listadas na B3 (Brasil, Bolsa, Balcão).

A proposta de privatização da Eletrobras conjuga com uma chamada de capital. Há mais tempo, o ministro das Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, salientou que nenhum acionista terá mais que 10% das ações votantes do capital. Portanto, incluiria a União. E, ainda, que o Governo não pretende criar ações especiais, com direito a vetos, a exemplo da privatização da Vale S/A, em 1997. Portanto, sem golden share. Estas ações, no caso da mineradora, ficaram em poder da BNDESPar – empresa de participações do BNDES.

Eletrobras reverteu prejuízo

No balanço patrimonial consolidado para os três trimestres, encerrados em 30 de setembro, a Eletrobras apresentou ativos de R$ 177,207 bilhões (queda de 2,3% em relação a 31 de dezembro de 2018). O patrimônio líquido, de R$ 63,538 bilhões, porém, cresceu +13,4%. As receitas com vendas somaram de R$ 20,386 bilhões, ou seja, crescimento de 9,3% comparadas com igual período de 2018. A empresa reverteu o prejuízo de R$ 404 milhões, em 2018, apresentando lucro de líquido de R$ 7,624 bilhões.

Nos nove meses de 2019 comprados com mesmo período de 2018, a dívida bruta da Eletrobras ficou maior 13,6%, de R$ 48,035 bilhões. Mas com a dívida líquida (descontada a previsão de receitas) a alta foi de 10,7%, para R$ 22,112 bilhões.

União tem 41% do capital total

No balancete de 30 de setembro, o capital social da Eletrobras, de R$ 31,305 bilhões, era formado por 1.087.050.297 de ações ordinárias e 265.436.883 preferenciais. A União tinha 51% das ações votantes (ordinárias) e apenas 892 preferenciais (classe C). Assim, na combinação dos papéis, lhe cabiam 41% do capital total. Por sua vez, BNDES e BNDESPar juntos somavam 20% das ações ordinárias e 14% das preferenciais, representando 19% do capital total. O capital social (R$ 31,305 bilhões) e as reservas de capital (R$ 13,867 bilhões) respondiam por 71% do patrimônio líquido, de R$ 63,538 bilhões.

São 137 SPEs na Eletrobras

“Maior companhia do setor de energia elétrica da América Latina, atuante no segmento de geração, transmissão e comercialização, controladora de 8 subsidiárias, uma empresa de participações – Eletropar –, um centro de pesquisa – Cepel e com participação de 50% do Capital Social de Itaipu Binacional e participação direta e indireta em 137 Sociedades de Propósito Específico” – Do “Informe aos Investidores 3T19”, datado de 11 de novembro.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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