Ferrovia FCA estoca produtos químicos em Serra do Salitre

  • por | publicado: 17/11/2019 - 09:09 | atualizado: 16/11/2019 - 22:25

Em 2003, em Uberaba, uma composição da FCA descarrilou com vagões-tanques carregados de produtos químicos inflamáveis. Houve danos ambientais à flora e fauna. Foto: Jornal de Uberaba/Divulgação em Redes Sociais/Semad

A Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) construirá um “ponto de armazenamento de químicos” em Catiara, distrito de Serra do Salitre, no Alto Paranaíba. A empresa recebeu essa autorização da Superintendência de Infraestrutura e Serviços de Transporte Ferroviário de Cargas, da ANTT. A Portaria Nº 195, que autorizou a FCA executar a obra, está valendo desde 15/10. A empresa é operada pela holding VLi Logística.

De acordo com várias normas Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), os tanques, válvulas e demais acessórios de armazenagem de produtos químicos devem ser, preferencialmente, fabricados empregando aço inox. Outro item fundamental é a que sejam mantidos em estado seguro de integridade. A NBR 5419, por sua vez, estabelece alguns procedimentos de segurança:

  • possuir aterramento – para drenagem de carga estática, a fim de evitar risco de “centelhamento”;
  • respiradouro de emergência – para função de “alívio”;
  • dique de contenção – prevenção para casos de vazamento e derramamento.

FCA causou dano ambiental em 2003

Em junho de 2003, em Uberaba, em outro ramal, contudo, não distante de Serra do Salitre, a FCA causou o maior acidente ambiental na história do Triângulo Mineiro. Por coincidência com a autorização da Portaria 195, a causa foi o descarrilamento de composição transportando produtos químicos inflamáveis.

Distrito de Catiara, em Serra do Salitre, receberá o “ponto de armazenamento de químicos” da ferrovia FCA, operada pela holding VLi – Foto: Divulgação/Prefeitura

O comboio era formado por 18 vagões com octanol (álcool primário saturado), metanol, isobutanol (composto orgânico incolor, inflamável) e cloreto de potássio. Houve explosão, vazamento e comprometimento da microbacia do Córrego Alegria, afluente do Rio Uberaba, em Uberaba.

Como o acidente ocorreu a montante do ponto de captação de água para tratamento e consumo humano, o abastecimento da população foi comprometido. As autoridade, portanto, tiveram que decretar estado de calamidade pública.

Presença da Vale

A VLi é uma holding com as participações da da Vale, da japonesa Mitsui e dos fundos FI-FGTS e Brookfield Asset Management. Contudo, à época do daquele acidente, a FCA era uma controlada da mineradora.

Principais danos:

  • 1.000 metros de mata ciliar devastados;
  • mortandade de animais;
  • contaminação do córrego com 670 toneladas de produtos químicos;
  • mais de 250 mil pessoas sem água.

Feam conhece projeto da FCA?

Resta, contudo, à comunidade de Serra do Salitre saber dos órgãos ambientais do Governo de Minas Gerais (Feam, Copam, IEF e IGAM) com exatidão aquilo que a ferrovia FCA colocará nesse “ponto de armazenamento químico” em Catiara. E, por conseguinte, o nível de conhecimento das autoridades da Prefeitura Municipal sobre a engenharia do projeto.

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