Grupo Alliar dribla D’Or e cria escudo contra Nelson Tanure

  • por | publicado: 9/11/2021 - 13:51 | atualizado: 11/11/2021 - 18:37

A rede Alliar recusou propostas da Rede D'Or e do investidor Nelson Tanure - Foto: Divulgação/Alliar

Os hospitais seguem processo de consolidação e os holofotes estão sobre a logo da rede de medicina diagnóstica Alliar (Alliar Médicos à Frente), marca fantasia do Centro de Imagem Diagnósticos S.A. Esta é vista como segunda do país no segmento (fonte: Alliar – 2021). O sistema Axial – Centro de Imagem de Minas Gerais é parte da origem da rede (ver abaixo). As consolidações no setor seguem via fusões e/ou aquisições diretas de partes do capital – de investidores e fundos.

Em agosto, os acionistas do acordo de controle e o fundo Pátria (agora fora do acordo – ver abaixo) recusaram a oferta de compra da Rede D’Or São Luiz, uma líder gestora de hospitais. Pagaria R$ 11,50 por ação, ou seja, negócio de R$ 1,360 bilhão.

O valor foi avaliado como muito baixo, uma vez que, em 2016, teve precificação de R$ 20,00. Além disso, a D’Or colocava muitas curvas. Pretendia, por exemplo, atingir 100% do capital. Entretanto, condicionava a proposta à adesão mínima de 15% das ações. Recentemente, a D’Or efetivou importante aquisição em Nova Lima (MG). Relembre AQUI.

Alliar está em 10 estados; 1.200 médicos

O Grupo Alliar é uma companhia aberta, ou seja, com ações do capital listadas na Bolsa de Valores (B3 – Brasil. Bolsa. Balcão). Foi criada, em 2010, a partir da fusão entre quatro empresas de Belo Horizonte, Juiz de Fora, São José dos Campos e Campo Grande.

Ao longo do tempo, consolidou 20 aquisições e, portanto, chegou a 43 cidades em 10 estados. Em mais de 40 unidades, ocupa mais de 5.600 funcionários e ao redor de 1.200 médicos (Fonte: Alliar – última atualização: 19/07/20210).

Dentro da rede estão abrigadas 15 marcas e 105 unidades de atendimentos (ambulatorial e hospitalar). Veja AQUI.

Tanure, um conhecido jogador

Mal os acionistas da Alliar recusaram a oferta da D’Or, entrou em cena um conhecido apostador no mercado de fusões e aquisições: Nelson Tanure. Mas que gosta, preferencialmente, atacar companhias em situação falimentar. O empresário agiu assim, por exemplo, no Governo Collor de Mello, em estaleiros da indústria naval fluminense. Depois, migrou para empresas de comunicação (Jornal do Brasil e Gazeta Mercantil).

Investidor Nelson Tanure faz apostas por diversas áreas – Foto: Alerj/Divulgação

No setor das teles, ingressou na Oi. Deixou sua marca: maior recuperação judicial do país. Mesmo com esse precedente, foi admitido no leilão da Copel Telecom, arrematando, em 2020, por R$ 2,395 bilhões.

O empresário dá cartas no Conselho da imobiliária Gafisa (beirou a falência), onde é sócio com peso. Atua também no setor de petróleo

Na busca por empresas na bacia das almas, por vezes, usou moedas podres (certificados) do Governo em circulação. Situação muito comum no currículo para Tanure: falir, de vez, onde entrou e/ou expurgado das sociedades.

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Escudo contra empresário

Tanure, então, levou duas propostas para dentro da Alliar, onde já estava. A maior, no valor unitário, R$ 19,00 por ação para um bloco de 24 milhões de ações. Portanto, pagamento de R$ 456 milhões.

Ocorre que Tanure tem propósito muito claro, nesta segunda rodada: abocanhar mais 20% da Alliar e, em ato contínuo, aplicar um golpe para cima dos demais acionistas.

Em 19/10, o investidor cresceu no capital da Alliar de 5,13% para 27,6%, via MAM Asset Managemen. Representado pela Fonte de Saúde Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia (gerido pela MAM), assumiu posições de dois fundos do portfólio da gestora Pátria. E, no ato final, destituir o conselho.

O bloco de acionistas 70 (maioria médicos), detentor de 52,79% do capital, porém, se precaveu. E recusou Tanure novamente, no dia 27/10. Diante das escaramuças dele, desde agosto, o grupo do acordo adotou medidas de proteção: definiu que, até fevereiro de 2022, não haveria alienação de ações.

Além disso, na reunião de 27/10, estava definido que só com aprovação de 67% seria tomada decisão sobre Tanure.

De acordo com o site Infomoney, o bloco avaliou a proposta do empresário da MAM Asset Management como “desalinhada com a visão e os objetivos dos acionistas”.

Expectativa para teleconferência de quinta (11/11)

Mas, na quinta (11/11), após o encerramento das operações no pregão da B3, a administração da Alliar divulgará os resultados do 3T21. E, no dia seguinte (12/11), às 12h30, realizará teleconferência com analistas do mercado acionário. Neste dia, portanto, será provável saber como os acionistas da se comportarão nos próximos passos.

Quando Tanure fez sua proposta, as ações da Alliar subiram 5% e fora, portanto, cotadas a R$ 15,18. Mas, os acionistas agiram com prudência diante das oscilações: “Em nossa opinião, a recente movimentação de preço da ação foi impulsionada principalmente pelo interesse de terceiros em adquirir o controle acionário da empresa, e pode haver uma perda de momentum devido à rejeição da oferta. Portanto, mantemos nossa visão cautelosa sobre as ações da companhia…”, está em nota distribuída.

Companhia reverteu prejuízo do 1S20

No 6M21, a Alliar teve receita líquida de R$ 567,8 milhões, ou seja, salto de 51% frente mesmo período de 2020. O líquido foi lucro de R$ 24,4 milhões, revertendo, então, o prejuízo de R$ 105,1 milhões.

A dívida bruta da rede, era de R$ 837,9 milhões. Estava assim distribuída: R$ 786,2 milhões, debêntures; R$ 41 milhões, aquisições de empresas; e, R$ 10,7 milhões, impostos parcelados.

Axial, criada em Minas Gerais, em 1992, é relevante no Grupo Alliar – Foto: Axial/Divulgação

Mas, amortizada por receitas previstas R$ 220,2 milhões (caixa, equivalentes e títulos), o valor líquido baixava para R$ 617,7 milhões.

Alliar tem reservas compatíveis

O endividamento, portanto, facilmente suportável pelo patrimônio líquido de R$ 1,212 bilhão, deduzidos prejuízos acumulados e ações em tesouraria. Nesta rubrica, R$ 612,4 milhões eram do capital social, e, R$ 624 milhões, reservas de capital. O capital da rede é representado por 118.292.816 ações ordinárias

Em ativo imobilizado, intangível e investimentos, a Alliar fechou os 6M21 com R$ 1,487 bilhão.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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