Mistureba no BRB: privatização, BTG Pactual e Flamengo

  • por | publicado: 23/06/2022 - 12:18 | atualizado: 28/06/2022 - 15:42

BRB elege BTG Pactual para fazer o business com Flamengo deslanchar - Foto: Paulo H. Carvalho/ Agência Brasília/ Divulgação/Relatório BRB

O BRB – Banco Regional de Brasília, cria altos e baixos no processo de privatização integral do grupo e/ou de parte dos ativos em subsidiárias. Parece bem o retrato do governador Romeu Zema, de Minas Gerais, com a novela prometida em campanha (2018) de desestatização dos Grupos Cemig e Copasa e a da Codemig.

Agora, o BRB efetiva o Banco BTG Pactual o adviser da parceria com o Clube de Regatas Flamengo. Ou seja, dirá por onde a plataforma Nação BRBFla buscará ganhos financeiros. Veja AQUI o comunicado feito ontem (22/06).

Cabe lembrar que, desde julho de 2020, a parceria do Governo do Distrito Federal, controlador do BRB, com o clube rubro-negro carioca gera polêmicas. O contrato do banco, de R$ 32 milhões anuais, por três anos, desembarcou no Tribunal de Contas do DF (TCDF). E a coisa virou embolada: não seria patrocínio, mas parceria para criação de banco digital.

Mas, fato é que o BTG Pactual engrossa o caldo das desconfianças deste novo capítulo cercam a alienação do banco brasiliense, criado em 1964. A privatização foi autorizada em outubro de 2020. Dois meses depois, o Conselho de Administração do banco aprovou um “follow-on”, oferta pública de ações. A operação, seria, portanto, a título de “expansão de seus negócios”, tornando um ativo mais atrativo. E, daí, o BRB partiu para cata de assessoria financeira.

Entretanto, venda do BRB é papo antigo. Desde 1998 (Governo Fernando Henrique), o DF é pressionado pelo Banco Central nessa direção. Naquele ano, o Governo criou um estaleiro para vender bancos estaduais, o Proes. Agora, no Governo Bolsonaro, desde 2019, o BC recarrega no verbo vender.

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Governo DF é absoluto no BRB

À época do comunicado de dezembro de 2020, o Governo do DF era absoluto no banco; 75,44% das ações ordinárias (decidem o destino) e 98,85% das preferenciais. Portanto, controlava 80,33% do capital total.

Nas decisões de outubro de 2020, era o banco sentava de dono do nariz das subsidiárias. Por exemplo: tinha 100% da Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM), e, 69,7%, da Corretora de Seguros BRB. A Associação dos Empregados do Banco de Brasília (AEBRB) seguravam os 30,3% restantes da seguradora.

Em 30 de maio, a posição do Governo do DF no capital do BRBR era outra: 64,54% das ações ONs, 96,85 das PNs e, no total, 71,92%. A previdência dos servidores do DF (IPREV-DF) e a AEBRB somavam 33,45% das ONs e 0,96% PNs. As entidades, portanto, agrupavam 26,03% no total do capital.

Elo do BTG com Paulo Guedes

Desde 2020, o BTG Pactual palpitava nos destinos do BRB. A Central Única dos Trabalhadores (CUT), braço da política sindical do Partido dos Trabalhadores (PT), associava o banco privado aos interesses do ministro da Economia, Paulo Guedes, um dos fundadores.

A proposta do BTG, acusado de olho gordo, era para oferta pública de uma joint venture entre a DTVM e a Seguradora. Da nova empresa, então, os investidores privados ficariam com maioria no capital – 50,1%.

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O BRB protocolou, em setembro passado, o processo de adesão ao Nível 1 da B3 (Brasil. Bolsa. Balcão). Ou seja, propósito de ir para topo das listagens de ações em termos de governança corporativa. No mês seguinte, entretanto, comunicou que “postergaria” (adiamento) a emissão de novas ações. Isso, portanto, impactaria no ingresso ao Nível 1.

Mas, abril deste ano, a cantilena desafinou. O BRB cancelou a emissão de novos papéis. Por tabela, então, mandou para os ares seu vestibular ao Coliseu da B3.

BRB fez bonito nas operações e no lucro

O balanço patrimonial do BRB de 2021 exibiu lucro líquido de R$ 608 milhões. Portanto, a rubrica dera salto de 35,2% sobre o resultado do exercício fiscal anterior. As operações de créditos, finalizadas em R$ 21,8 bilhões, cresceram 34,4%, ou seja, muito acima da média nacional (16,5%). Os negócios financeiros foram turbinados na carteira imobiliária, que apresentou extraordinário pulo de 82%, para R$ 4,5 bilhões.

No final do 1T22, o patrimônio líquido era de R$ 2,403 bilhões, portanto, inferior 7,7% em relação ao encerramento de 2021. O ativo total, entretanto, saltou 22,8%, para R$ 37,424 bilhões.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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