Zema contrata avaliação operacional da Copasa

  • por | publicado: 11/08/2021 - 12:34 | atualizado: 13/08/2021 - 11:09

Zema põe mais um capítulo na novela das privatizações em Minas Gerais - Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG

Governo Zema dá sinais de que não sepultou o propósito de vender a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), promessa da campanha de 2018. Na segunda (09/08), por exemplo, a estatal declarou vencedora da licitação para “avaliação” operacional e “cenários” futuros com a Ceres Inteligência Financeira Ltda. A Ceres empresa de consultoria, avaliação de gestão e patrimonial, venceu o edital com proposta de R$ 810 mil. A empresa lista entre clientes empresas de saneamento como Sabesp, Sanepar, Saee e Cesan.

Na Licitação Nº CPLI.1120210004, vencida pela Ceres, o objeto é: “prestação de serviços especializados de consultoria estratégica e financeira para apoio no Valuation da operação atual da COPASA e elaboração de cenários de otimização operacional para maximização dos valores esperados para a Companhia” (sic). A licitação despertou interesse de empresas de peso, como por exemplo Ernst & Young Assessoria Empresarial Ltda.

Fundador da Localiza sugere Zema vender as pequenas

Quatro dias antes da Copasa encerrar o processo, o empresário Salim Mattar, ex-secretário Nacional de Desestatização do Governo Bolsonaro, foi ouvido pela Comissão Extraordinária de Desestatização da Assembleia de Minas. Mattar é fundador do Grupo Localiza e ex-secretário nacional de Desestatização do Governo Bolsonaro. Agora, é consultor na administração do governador Romeu Zema.

O empresário defende que Zema privatize empresas pequenas, pois, não precisam da aprovação de 2/3 dos 77 deputados da Assembleia. Mas, é exigido para Copasa, Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Gasmig e Codemig.

Ex-secretário Nacional de Desestatização, o empresário Salim Mattar sugere, portanto, fugir da manipulação da Assembleia – Foto: Wellton Máximo/Agência Brasil

Estado está em 85 empresas

Mattar estima que o Governo Minas tem um portfólio com 85 empresas. Mas, praticamente 50% somente no Grupo Cemig, que tem 39 subsidiárias. A energética mineira tem alienado ativos e acaba de sair, por exemplo, de um pool de 13 pequenas centrais hidrelétricas, pertencentes à Brasil PCH S.A. A Renova Energia tinha 51% do capital da PCH. A Cemig, por sua vez, 29% na Renova. Relembre AQUI

Mattar estima um pacote de R$ 40 bilhões

“Cemig, Copasa, Gasmig e Codemig podem valer até (R$) 40 bilhões e privatizá-las iria limpar e desburocratizar o Estado. Mas não dariam lucro, pois atualmente elas dão prejuízo. Essas grandes privatizações dependem de um ambiente político favorável”, opinou Mattar, na sessão da Comissão da Assembleia.

O valor estimado, portanto, muito abaixo da avaliação que o governador Zema fazia em 2019. Ainda, entusiasmado com ideia das privatizações, que imaginou fácil, o governador acreditava que poderia colocar R$ 50 bilhões nos cofres do Tesouro do Estado.

No mercado desde 2002 e credenciada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Ceres executa estudos de viabilidade econômico-financeira de empresas e transações (fusões e aquisições), planejamento e gestão. Na carteira de clientes lista BNDES, Infraero, Cemig, Light, Taesa, Celg, Furnas, Celesc, Aliança Energia, Copel, Infraero, Banco do Brasil, Itambé, FDC, Ibmec, Governo de Minas, Banco do Nordeste e Banco Fidis.

Alexandre Kalil no meio do caminho

A Novinvest Corretora de Valores observa, porém, que qualquer esforço de Zema para venda das grandes estatais de Minas entrou em fase negativa. Pois, além do fator quorum mínimo de 2/7 da Assembleia, seria um enfrentamento ao eleitorado, não recomendável para quem pensa em reeleição. Além disso, o principal mercado concessionado da Copasa é a capital, cujo prefeito, Alexandre Kalil, foi reeleito. Kalil, no entanto, não esconde que deseja ser visto como pré-candidato em 2022, na sucessão do Governo de Minas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Blackman

Copasa e Cemig principalmente. Tem que privatizar essas porcarias. As agencias reguladoras, fazem vistas grossas e devem pegar fatia do lucro, só pode. Desestatização urgente. E a união pode ser proprietária de parcela dos ativos societários.
É só se basearem na desestatização da Telebrás, a linha telefônica que era incessível para a maioria da população, ficou como agora?

Alisson Siqueira

Privatizar significa pressao anual por aumento de tarifas ja que essas empresas ao contrario de telefonia atuam sem concorrência e consequentemente poder de escolha pelo consumidor. Ou o comsumidor paga ou fuca sem os servicos

JADER BICALHO

Matéria com informações imprecisas, a Copasa esta caminhando para dar 1 bilhão de lucro este ano e a CEMIG 1,8 bilhões. As empresas públicas dão bastante lucro. Vender é entregar um ativo e distribuir o dinheiro para a corrupção.