Ajuda de R$ 3 bilhões que virá para Minas vai servir para tampar pequenos buracos

  • por | publicado: 8/05/2020 - 06:00 | atualizado: 7/05/2020 - 22:45
Governador Romeu Zema espera ajuda do governo federal para Minas superar crise. Foto - Facebook - Reprodução

Governador Romeu Zema espera ajuda do governo federal para Minas superar crise. Foto - Facebook - Reprodução

Minas Gerais vai receber, dos R$ 60 bilhões que o governo federal vai repassar aos estados, cerca de R$ 3 bilhões. Ajuda? Evidentemente. Resolve? Longe disso. Primeiramente porque o recurso virá em quatro parcelas de R$ 750 milhões. Segundo, o rombo é tão grande que vai servir apenas para tampar pequenos buracos.

Se antes da pandemia do coronavírus a situação financeira do estado já era gravíssima, a chegada desse novo inimigo complicou ainda mais um quadro que, parecia até então, não tinha mais como piorar. O próprio governador do Estado, Romeu Zema (Novo), admite que a Covid-19 tem potencial para provocar um rombo de cerca de R$ 7,5 bilhões na arrecadação do Estado. Vale lembrar que as projeções do governo, muito antes de qualquer vírus, já apontava para um déficit da ordem de R$ 13 bilhões em 2020.

O governo mineiro continua sonhando com uma ajuda mais substancial do governo federal, que pode vir, talvez, com uma determinação do Palácio do Planalto para que um banco oficial (Caixa Econômica, Banco do Brasil ou BNDES) assuma os créditos do nióbio, uma operação aprovada pela Assembleia Legislativa no final do ano passado. Quando a ideia surgiu, a expectativa do governo era conseguir, com a operação, cerca de R$ 5 bilhões.

Com a crise do coronavírus, que provocou uma reviravolta na economia do mundo todo, não parece haver, no momento, nenhum interesse por nióbio. Nem mesmo dos bancos oficiais. Caso algum deles decida fazer o negócio, será mais por decisão política, por determinação expressa do presidente Jair Bolsonaro. E é com a caneta bic do presidente que o governador parece contar.

Mas o valor, muito provavelmente, não será o esperado por Minas. E por essa razão, começam a surgir, no próprio governo, questionamentos sobre a conveniência da operação nesse momento, pois há o temor de que a venda possa ser feita na bacia das almas.

Privatização?

Qual a solução? Nenhuma à vista, afora a possibilidade de que venha uma montanha de dinheiro de Brasília para os cofres do Estado – o que não parece muito provável, até mesmo porque vários outros estados têm demandas semelhantes.

A privatização da Cemig e Copasa, uma alternativa que poderia ajudar no médio prazo (considerando que o governo vai conseguir superar todos os obstáculos para a venda), está agora em banho-maria, também por conta do coronavírus.

Para quem acredita na providência divina, resta rezar para que o quadro das finanças de Minas não se agrave ainda mais. É possível? Infelizmente, é. Oxalá não cheguemos ao ponto em que o governo não tenha dinheiro para pagar o salário dos servidores (que hoje já recebem com atraso), dos professores, dos profissionais de saúde, a comida dos presos. Como aconteceu, não faz muito tempo, no vizinho Rio de Janeiro.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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