Anistia e OAB repudiam, e Doria vê “infelicidade” no jeito Bolsonaro

Bolsonaro tem o cabelo cortado enquanto destila seu veneno, reprodução Facebook, site Poder 360

Sete meses de governo depois e ele não consegue ser presidente da República, mas apenas Bolsonaro. Em menos de 15 dias, manifestou e reafirmou traços de uma personalidade doentia, cruel e insana, que não se faz de rogado para sustentá-la por meio de fake News, ressentimentos e preconceitos.

“Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele”, disse, dirigindo-se ao presidente da Ordem, Felipe Santa Cruz, cujo pai, Fernando Augusto Santa Cruz, desapareceu nos porões da ditadura militar. Relatório secreto RPB 655, do Comando Costeiro da Aeronáutica, contradiz o presidente e atesta que o estudante Fernando Santa Cruz foi preso pelo regime em 22 de fevereiro de 1974, no Rio de Janeiro. Nunca mais foi visto.

Presenciou a tortura?

Não respeitou o sentimento do filho e familiares nem a memória de mais uma das vítimas das atrocidades do regime de exceção. Só faltou Bolsonaro dizer que sabe o que diz porque, aos 19 anos, presenciou o que aconteceu, ou ainda, que teria participado da execução. Daí o diagnóstico certeiro do aliado, quando o chama de infeliz.

Filho do deputado cassado e exilado (João Agripino da Costa Doria Neto) pela ditadura, o governador paulista João Doria (PSDB) classificou como “infeliz” e “inaceitável” a fala de Bolsonaro.

Na semana passada, disse algo igualmente horrível contra a jornalista Miriam Leitão, presa e torturada nos mesmos porões. “Ela estava indo para a guerrilha do Araguaia quando foi presa em Vitória. E depois, conta um drama todo, mentiroso, que teria sido torturada, sofreu abuso etc. Mentira. Mentira.”

Jurista pede interdição de Bolsonaro

Agora, ameaça perseguir outro jornalista (Glenn Greenwald), com prisão e deportação, apenas porque ele exerceu sua liberdade de imprensa e responsabilidade de denunciar operações maquinadas e comprometedoras em nome do combate à corrupção. “Ele não vai embora, pode ficar tranquilo. Talvez pegue uma cana aqui no Brasil, não vai pegar lá fora não.”

No conjunto das agressões e preconceitos, ainda chamou os governadores do Nordeste de “paraíbas”, pôs em xeque ataque a índios e intimida direção do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Para completar, aparece o autor do impeachment da ex-presidente Dilma (PT), o jurista Miguel Reale Júnior, avaliando que o caso de impedimento do atual presidente é de outra ordem: de interdição.

Tudo somado, o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, disse, nesta segunda (29), que Jair Bolsonaro expressou uma opinião pessoal sobre o desaparecimento de Fernando Santa Cruz. Ou seja, isentou o governo dele da monstruosidade.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.