Bate-boca constante entre Zema e Kalil antecipa disputa pelo governo em 2022

O prefeito Alexandre Kalil (dir) e o governador Romeu Zema usam pandemia do coronavírus como discurso político para 2022

O prefeito Alexandre Kalil (dir) e o governador Romeu Zema usam pandemia do coronavírus como discurso político para 2022

Têm sido frequentes, nos últimos meses, as desavenças entre o governador Romeu Zema (Novo) e o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD). As rusgas se intensificaram em tempos de pandemia do coronavírus e, portanto, o pretexto é a Covid-19. No fundo, ambos estão de olho na disputa pelo governo de Minas no distante 2022.

Alexandre Kallil é candidatíssimo ao governo do Estado na próxima eleição. Antes, porém, precisa enfrentar a corrida pela reeleição, em que aparece, por enquanto, segundo as pesquisas de intenção de voto, como favorito. Vencendo, se fortalece para o pleito de 2022.

Zema, um empresário que parece ter tomado gosto pela política, tudo indica, será candidato à reeleição. Como não terá grande coisa a apresentar ao eleitorado na próxima eleição, até mesmo porque a situação financeira caótica do Estado não permite (e justiça seja feita, quando ele pegou o cargo a situação era gravíssima), cuida de desqualificar aquele que se apresenta hoje como o principal concorrente, usando o coronavírus como sua principal arma.

Junto ao eleitorado da capital, as críticas de Zema ao prefeito não parecem estar surtindo grande efeito. Sua administração é bem avaliada e seu discurso na pandemia em favor da vida vem agradando. Mas no interior, onde Kallil não é conhecido, a pecha de incompetente que o governador tenta carimbar na condução que ele vem dando ao surto da Covid-19 tem potencial para fazer estragos.

Por outro lado, as críticas que Kallil, com seu jeito contundente de ser, tem feito ao governador Zema, também no caso da pandemia, pode, sim, trazer ainda mais prejuízos à sua imagem junto ao eleitorado da capital. O argumento principal é que o governo não ajuda em nada Belo Horizonte.

Já no interior, onde o Estado se faz mais presente e os municípios, na sua grande maioria, não conseguem viver sem a ajuda do governo estadual, o que o prefeito diz do governador tem peso praticamente zero.

No fundo, embora a eleição de 2022 esteja ainda muito distante, o principal adversário de Kallil, sendo ele mesmo candidato ao governo, é a elite empresarial mineira, que não anda satisfeita com sua gestão e sinaliza que vai investir em seus adversários na eleição municipal de novembro. A intenção é, pelo menos, reduzir o tamanho de sua vitória, para que ele não chegue tão forte na eleição estadual.

No caso do governador Romeu Zema, o principal adversário é a sua própria administração. Como é praticamente impossível que a situação financeira de Minas se recupere a tempo de que o governo consiga fazer algo realmente relevante para melhorar a vida dos mineiros, o discurso será vazio.

E nessa corrida, evidentemente, estarão outros concorrentes, além de Zema e Kallil, como o senador Rodrigo Pacheco (DEM) e o ex-prefeito Márcio Lacerda (sem partido). O primeiro, aliás, tem feito uma campanha silenciosa, mas muito efetiva, levando aos prefeitos de centenas de municípios o que eles mais gostam e precisam: verbas.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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