Bolsonaro lidera influência digital nas redes sociais; Lula fica em 2º

Lula fica atrás de Bolsonaro nas redes sociais,Foto: Sérgio Lima/PODER 360

No mês de outubro, a liderança do IPD (índice de popularidade digital) manteve-se com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), alcançando 88,07. É o 10º mês seguido que Bolsonaro vence a corrida pela influência digital entre as maiores lideranças políticas do país. Seu nível de fama nas redes aumenta continuamente mês a mês (aumento de 25% no número de seguidores nas suas redes desde janeiro de 2019). A pesquisa é do instituto minério Quaest Consultoria e Pesquisa. A empresa desenvolveu um método para avaliar e monitorar as personas digitais (veja metodologia abaixo). As informações e análises são do coordenador da pesquisa, Felipe Nunes.

Além de fama, Bolsonaro mantém alto nível de engajamento (aumentou em 7,8% de setembro para outubro, totalizando 16.5 milhões de likes). E alto nível de mobilização nas redes (só no mês de outubro, alcançou 3,4 milhões de compartilhamentos espontâneos dos conteúdos de sua página).

Mesmo preso, Lula assume o 2º lugar

Em segundo e terceiro, estão, respectivamente, o ex-presidente Lula (PT) e Luciano Huck (sem partido). Lula manteve a segunda colocação, no mês passado, totalizando um IPD de 43.07, apesar de ter ficado preso durante todo o período. Em termos absolutos, teve quase a metade do alcançado por Bolsonaro.

Ao contrário do atual presidente, Lula não tem conseguido ampliar sua fama nas redes. O número de seguidores de suas páginas é constante desde janeiro de 2019. No Facebook, por exemplo, o ex-presidente mantém algo em torno de 4 milhões de seguidores e sem nenhuma evolução de crescimento. O que Lula tem conseguido melhorar bem é o conteúdo positivo em relação a ele nas redes.

A valência dos comentários observados em suas redes tem crescido muito nos últimos dois meses. Entre agosto e outubro triplicou a razão de comentários positivos sobre negativos nas páginas de Lula. Com a soltura, após 580 dias preso, o petista tende a aumentar sua popularidade digital. (Confira abaixo os outros resultados)

Conheça a metodologia do Quaest

As dimensões utilizadas para a construção do IPD são gerenciadas em cinco quesitos: presença digital, fama, engajamento, mobilização e valência. Na presença digital, leva-se em conta se a pessoa tem conta nas redes: Facebook, Instagram e Twitter. Na fama, confere-se a quantidade de seguidores e curtidas: número de perfis que curtem a página no Facebook; número de seguidores no Instagram e no Twitter.

Já no engajamento, avalia-se a quantidade de interações e envolvimento: a soma de curtidas e comentários por post nessas redes. A mobilização mede a quantidade de reposts: média de compartilhamento por post no Facebook e Twitter (retweets). Por último, a valência mede o índice de reação positiva: a soma do número de reações ‘likes’ mais ‘loves’ em cada post no Facebook, dividido pela soma de reprovações (‘sad’ mais ‘angry’).

Huck tem perdido espaço

Luciano Huck esteve à frente de Lula de janeiro a agosto, mas, desde então, vem perdendo espaço para o petista. O IPD de Huck em outubro foi de 38.92. Huck tem a seu favor o maior volume de fama entre as personalidades políticas monitoradas no país.

Com mais de 20 milhões de fãs na totalização de suas redes, Huck consegue um alcance sempre expressivo de suas publicações. O que ele não consegue, no entanto, é manter estáveis seus níveis de engajamento e mobilização.

Neste ano, apenas em junho ele conseguiu mexer com as redes de forma significativa. E não foi por conta de conteúdos de cunho político, ao contrário, de conteúdo pessoal (em junho, o filho dele sofreu acidente com wakeboard). No vídeo mais importante em sua página neste ano, Huck aparece, ao lado da mulher, Angélica, para agradecer o apoio e carinho dos fãs. Obteve 5 milhões de visualizações, 37 mil compartilhamentos e quase 100 mil comentários.   

Resultados da pesquisa digital da Quaest

Kalil lidera entre os prefeitos do país

Entre os prefeitos de capitais, se destacam o de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD) e o de Salvador, ACM Neto (DEM). O primeiro tem um IPD de 66.18. O segundo, de 65.43. Os dois sempre estiveram entre os top 5 desde que o IPD começou a ser calculado. Conseguiram ultrapassar Marcelo Crivella (PRB), do Rio de Janeiro, e Teresa Surita (MDB, de Boa Vista (RR). A razão tem relação direta com o aumento do engajamento em suas páginas no mês passado. 

Kalil ampliou esse patamar, mesmo com baixo volume de postagens por semana. Ele é um dos prefeitos que menos posta, entre os monitorados. O conteúdo de suas publicações recentes se relaciona com futebol ou assuntos familiares. A sua postagem com maior volume de engajamento, por exemplo, traz uma foto dele com os filhos e o ex-jogador do Atlético, Ronaldinho Gaúcho. A outra relevante traz a informação de que será avô novamente.

ACM apela à Santa Dulce

ACM conseguiu melhorar sua posição no IPD apostando em postagens muito mais frequentes e quase exclusivamente focadas em obras públicas. Embora sua fama continue sem evoluir positivamente, entre setembro e outubro, ele conseguiu ampliar em 60% o número de postagens dele. E, claro, compartilhadas por seus seguidores.

Embora 85% das postagens de ACM mostrem ele e suas realizações, vale chamar atenção para as suas postagens de conteúdo religioso por ocasião da beatificação de irmã Dulce. O prefeito usou e abusou desses conteúdos em outubro e, com isso, obteve mais de 500 mil interações nas suas publicações nesse mês.

Crivella figurava em 1º lugar entre julho e setembro enquanto mantinha viva a briga com a Rede Globo. Contribuía também o alto nível de mobilização de eleitorado ligado à igreja Universal.

Doença de Covas o impulsiona

Ainda em outubro, houve a surpreendente subida do prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB). Ele subiu 14 posições de setembro para outubro, alavancado pela informação de que ele teria que tratar de um câncer no intestino. Divulgada apenas no final do mês, a notícia foi suficiente para colocar o prefeito paulista em 4º lugar no IPD de outubro com 48.12 pontos. Apenas com uma mensagem, publicada em seu Facebook, ele conseguiu aumentar em 17% a interação em sua página.

Atuação de Bolsonaro na segurança e na economia é desaprovada pela população

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.