Destemperos verbais corroem aprovação de Bolsonaro

Bolsonaro diz à imprensa que não acredita na pesquisa do Datafolha, foto Antonio Cruz/Agência Brasil

Os números das pesquisas dizem muito e advertem o presidente Bolsonaro (PSL) sobre sua forma de governar e enfrentar os problemas. Em suma, foram reprovadas e cresce a rejeição a cada mês e a cada polêmica na qual se envolve.

Mais do que suas ações de governo, os destemperos verbais do presidente recebem a maior reprovação. Até então, a crescente impopularidade de Bolsonaro estava entre mulheres, os mais pobres e de baixa escolaridade e nordestinos. Mas, agora, a reprovação cresceu também entre homens, moradores do Sul e entre os que têm altas renda e escolaridade, ou seja, aqueles que o colocaram na presidência.

Reprovação é ampliada: Datafolha

De acordo com a Pesquisa Datafolha, divulgada, nesta segunda (2), a reprovação ao governo de Jair Bolsonaro (PSL) cresceu de 33% para 38%, em relação à última medição em julho. A aprovação dele caiu no limite da margem de erro, de 33% para 29%. A avaliação do governo como regular permaneceu estável, de 31% para 30%.

No Datafolha de julho, o país estava dividido em 3 partes iguais: 33% avaliavam o governo como ótimo ou bom, 33% como ruim ou péssimo e 31% como regular. Já era a pior avaliação de um presidente no início de mandato desde o governo de Fernando Collor de Mello, em 1990.

A região com maior rejeição a Bolsonaro é a nordestina –o índice de avaliação do governo como ruim ou péssimo subiu de 41% para 52% em menos de 2 meses. Contribuiu para isso a declaração do presidente de chamar a região de “Paraíba”, no dia 19 de julho.

Nessa conta de reprovação, ainda se incluem outras declarações e atitudes polêmicas do presidente, como aquela sobre o pai do presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), sugerindo que ele havia sido morto por grupo guerrilheiro na ditadura; a indicação do filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), para a embaixada brasileira nos Estados Unidos; e a crise da Amazônia, quando culpou as ONGs pelas queimas e a troca de farpas com o presidente francês, Emmanuel Macron.

Fatos positivos não produzem efeitos

A aprovação da reforma da Previdência e o anúncio de uma série de medidas econômicas, como a liberação do saque de até R$ 500 do FGTS, e a criação da semana do Brasil, black friday brasileira não foram suficientes para reequilibrar a aprovação do presidente.

No Datafolha, foram ouvidas 2.878 pessoas a partir de 16 anos em 175 municípios do país, de 29 a 30 de agosto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

Tudo somado, Bolsonaro não dá sinais que pretende mudar. Tanto é que disse, nesta segunda (2), que não acredita em Papai Noel, referindo-se à credibilidade do instituto paulista. Ainda assim, outras pesquisas, como a CNT/MDA e Vox Populi, apontam números semelhantes.

Outros institutos confirmam tendência

Na CNT/MDA, divulgada no dia 26 de agosto, a reprovação chegou a 39,5% dos brasileiros. A aprovação é de 29,4%. Outros 29,1% avaliam o governo como regular; e 2% não souberam opinar.

Já o instituto Vox Populi, em pesquisa encomendada pela PT, e divulgada no dia seguinte (30), mostra que rejeição ao governo Bolsonaro é de 40%. O valor corresponde à soma dos 27% dos brasileiros que avaliam o governo como péssimo com os 13% que o consideram ruim.

Veja os dados da pesquisa Vox Populi

Confira os resultados da pesquisa CNT/MDA

Bolsonaro: “Índios têm 14% do território nacional; objetivo é nos inviabilizar”

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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