Deputada diz que verdade está ao seu lado, mas se cala sobre “privilégios e mordomias”

Deputada Alê Silva diz que "verdade está do seu lado", mas não contesta informação de que usou recurso para pagar serviços postais, que ela classificava como "privilégios e mordomias". Foto - Agência Câmara

Em mensagem enviada por e-mail por sua assessoria de comunicação, a deputada federal Alê Silva (PSL-MG) classificou a informação publicada pelo Além do Fato sobre seus gastos com serviços postais, que ela considerava “privilégio e mordomia”, como “inverdades e fatos infundados que não foram devidamente apurados”.

O Além do Fato ligou três vezes para o gabinete da parlamentar na tarde de quinta-feira, no número que consta do site oficial da Câmara dos Deputados: (61) 3215-5462, mas as ligações não foram atendidas. Exatamente às 15h40 de quinta, o repórter enviou mensagem com questionamentos à parlamentar, em endereço que também consta do site oficial da Câmara: dep.alesilva@camara.leg.br.

Na mensagem, foi incluído o celular do repórter para que a parlamentar ou algum integrante de sua assessoria fizesse contato. Sem resposta, a informação foi publicada ontem (15-11), às 14h11.

“Mordomias e privilégios”

Em escritura pública registrada por Alê Silva em 13 de agosto de 2018, num cartório de Ipatinga, na condição de candidata a deputada federal, ela afirma que, caso eleita, “renunciará a todos os privilégios e mordomias incompatíveis com a manutenção do cargo e com a realidade socieconômica do país, tais como: auxílio-moradia, plano de saúde, previdência social especial, utilização de apartamento funcional, serviços postais, segurança privada, veículo oficial, bem como trabalhar com no máximo dez assessores”.

A deputada gastou em outubro com serviços postais, conforme informa o próprio site da Câmara dos Deputados, exatos R$ 1.425,84. Como registrou o Além do Fato, a parlamentar não cometeu nenhuma irregularidade. Mas não cumpriu um compromisso que assinou em cartório anunciando que não usaria recurso público para essa finalidade.

No seu site oficial, a deputada classificou a informação publicada pelo Além do Fato como fake news (reprodução abaixo), mas não contestou o uso dos recursos para serviços postais que em passado muito recente (agosto de 2018) ela considerava “privilégios e mordomias”. “Podem me atacar, fake news sobre “privilégios e mordomias” não me atingem, a verdade está do meu lado”, publicou Alê Silva.

Reprodução de site da deputada Alê Silva (PSL-MG)
Reprodução de site da deputada Alê Silva (PSL-MG)

Pau mandato do Marcelo Álvaro

Em mensagem trocada num grupo de Whatsapp, a qual o Além do Fato teve acesso, Alê Silva reproduz post publicado no seu site e afirma: “descobri tudo”, numa referência à matéria “Deputada Alê Silva usufrui de “privilégios e mordomias” que criticava como candidata”.

“O dono desse blog é pau mandado do Marcelo Álvaro”, publicou a deputada às 17h10 de ontem (15-11), numa referência ao ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que, embora do mesmo partido, é seu adversário político.

“Eles estão com ódio porque eu bloqueie (sic) a entrada de um aliado do Marcelo na última reunião que tivemos com o Bolsonaro”, acrescentou a parlamentar em mensagem às 17h11.

Um informação para a deputada e a quem interessar possa: o Além do Fato é um site de notícias de política e economia, criado pelos jornalistas Orion Teixeira, Nairo Almeri e Ricardo Campos (todos com décadas de experiência no jornalismo), em parceria com o Portal Uai, o maior produtor de conteúdo digital de Minas Gerais, com mais de 100 milhões de acessos por mês. E não há vinculação de nenhum de seus integrantes com nenhum político, partido, empresário ou empresas.

O espaço do site, portanto, está aberto para a deputada ou ou qualquer outro político, partido, instituição, empresas ou empresários que tenham informações a serem repassadas, desde que seus “donos” considerem que elas são relevantes para seus leitores.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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