Dissidência leva bloco de Zema a perder 6 deputados na Assembleia

  • por | publicado: 4/02/2020 - 21:58 | atualizado: 5/02/2020 - 14:34

Primeira reunião do ano define o jogo de forças na Assembleia, foto Guilherme Dardanhan/ALMG

Desentendimentos, desarticulação ou cochilo levaram a base governista de Romeu Zema (Novo) a perder, de uma só vez, seis deputados estaduais. O desfecho incomodou a articulação política do governo, mas o líder de Zema na Assembleia Legislativa, Luiz Humberto (PSDB), pôs água na fervura. “O que importa é o voto, a maioria vota com a gente”, amenizou ele.

Não há insatisfação generalizada, até porque o governo pagou as emendas parlamentares da ordem de R$ 5 milhões aos deputados, aprovadas no ano passado. A desarticulação cochilou diante de alguns desentendimentos pontuais. Tudo somado, deixaram o bloco governista, chamado ‘Sou Minas Gerais’, três partidos e seis deputados. Dois do Cidadania, João Vitor Xavier e Cleitinho Azevedo; dois do PP, Gil Pereira e José Guilherme, e um do PSB, Roberto Andrade. Fernando Pacheco deixou o PHS, está sem partido e não pode continuar no bloco. Com isso, a base de Zema caiu de 22 para 16. O agravante é que, com menos de 16 deputados, não se forma bloco regimentalmente.

O líder do bloco governista, Gustavo Valadares (PSDB), igualmente minimizou a mudança, que, segundo ele, teria provocado apenas três baixas já previstas. Um membro da oposição reconheceu que a alteração pouco afetaria na hora da votação. 

Sinais de mau tempo para o governo

Apesar do pragmatismo do líder governista Luiz Humberto, a notícia soa como sinais de mau tempo para o governador Romeu Zema (Novo). Especialmente porque ele enviará, nos próximos dias, ou mês, projetos complexos, polêmicos e impopulares. Entre eles, venda de estatais e corte de direitos de servidores. Precisará de voto qualificado de mais de 48 dos 77 deputados.

Para tentar mostrar que valoriza a política, Zema chegou a prestigiar, e a levar consigo o núcleo de seu secretariado, a reabertura dos trabalhos da Assembleia, na segunda (3). Um dia depois, essas mudanças foram comunicadas em plenário na primeira reunião ordinária do ano.

Bloco independente é o maior

Com a alteração, o bloco com maior número de deputados passa a ser o ‘Minas Tem História’, formado por parlamentares que se autodenominam independentes. Ele foi reforçado pelas representações partidárias Cidadania e PSB e passou a ter sete partidos e 23 deputados. Também integram o bloco, o MDB, PDT, Pode, PV e Republicanos. São liderados pelo deputado Sávio Souza Cruz (MDB), conforme comunicado em Plenário.

Já o PP, outro dissidente do bloco governista, migrou para o Bloco Liberdade e Progresso, que passa a ter seis partidos e 21 deputados. Cássio Soares (PSD) permanece como líder. Com isso, o bloco, também composto por parlamentares que se autodenominam independentes, passa a reunir DEM, Patri, PSD, PSL, PTB e PP.

O Bloco Democracia e Luta, formado por deputados de oposição ao governo, não sofreu alterações. Permanece com seis partidos (PCdoB, PL, Pros, Psol, PT e Rede) e 16 parlamentares, sob a liderança do deputado André Quintão (PT).

Surpreendido, bloco governista fica indefinido

Ainda não foi lida em plenário a formação de um bloco governista. Juntos, os partidos Avante, Novo, PSC, PSDB e Solidariedade, que integravam o ‘Sou Minas Gerais’, somam 16 deputados. Luiz Humberto informou ainda que a maioria absoluta dos projetos de Zema foram aprovados no ano passado.

De acordo com o Regimento Interno, os blocos têm existência por sessão legislativa ordinária, durante um ano. A cada nova sessão legislativa ordinária, entretanto, é necessário ler em plenário a formação do bloco, ainda que ela permaneça a mesma do ano anterior.

Zema leva secretariado à Assembleia e pede apoio a projetos impopulares

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Hugo Marcondes dos Reis Junior

Resultado de um governador que não honra os compromissos firmados na campanha e que favorece e prestigia categorias já privilegiadas em detrimento daqueles menos favorecidos. O quadro vai piorar.

Hugo Marcondes dos Reis Junior

Votei no Zema na expectativa de termos um governo honesto, probo e justo. Infelizmente o que identifiquei foi um governo pactuado com o passado, sem compromisso social e que trata os iguais de forma desigual. E gora, sem fazer o ajuste devido na estrutura do seu governo quer impor ajuste fiscal e previdenciário ao cidadão de bem, que tenta ganhar o pão de cada dia honestamente. Decepção.

José da Silva

Pela choradeira é funcionário público.Acertei ??? Outra : aí sabichão : explique qual ajuste na estrutura do governo que acabe com um déficit de mais de 10 bilhões de reais por ano no orçamento.Não venha com blá blá blá de que tem de cortar mordomia do Judiciário, Legislativo, etc. São poderes INDEPENDENTES o governo é obrigado CONSTITUCIONALMENTE a repassar o percentual para esses poderes. Se não o fizer pode sofrer impeachment.O governo gasta mais da metade do orçamento com funcionalismo. ABSURDO !!! Tem de haver mudanças sim para enxugar isso.

Hugo Marcondes dos Reis Junior

Este é o grande problema. Um comentário sincero é levado na chacota. Sim dou servidor público com muito orgulho, há 35 anos. Medidas imediatas: redução de cargos em comissão; redução de serviços terceirizados; extinção de gratificações absurdas como a GEPI percebida pelos fiscais da secretaria da fazenda; extinção de secretárias de estado e empresas públicas totalmente desnecessárias e ineficientes; redução da intervenção do estado em atividades que não são típicas do estado; concentração dos investimentos públicos em saúde, educação e segurança, aprimoramento da fiscalização fiscal, evitando a sonegação e cobrando dos devedores a dívida existente, extinção da carreira de EPPGG, unificação das carreiras públicas e das respectivas remunerações, com rigorosa observância do teto constitucional em todos os poderes,realização de concurso público para o preenchimento das vagas existentes e efetivamente necessárias, dentre outras iniciativas. Paro por aqui para não ser cansativo. Em suna, rigorosa observância dos princípios consagrados no artigo 37 da CF 88, tais como legalidade, moralidade, publicidade, impessoalidade e eficiência.

Hugo Marcondes dos Reis Junior

Quanto a dívida pública buscar perante ao STF o término do acordo da lei Kandir, uma vez que MG será superavitário, por exemplo. Ok?