Novo secretário é crítico do Legislativo e propôs cortar número de parlamentares

O governador Romeu Zema como seu novo secretário, o vereador Mateus Simões, um feroz crítico do Poder Legislativo.

O governador Romeu Zema como seu novo secretário, o vereador Mateus Simões, um feroz crítico do Poder Legislativo.

A indicação do vereador Mateus Simões como articulador político do governo seria o mesmo que tentar apagar fogo com gasolina. Daí a decisão do governador de fazer uma troca de cadeira, passando para a secretaria de Governo, no papel de articulador, seu fiel escudeiro Igor Eto, e colocando Simões na Secretaria-Geral, com a missão de fazer a interlocução com as demais secretarias e com os outros órgãos do Estado.

Simões, que exerce seu primeiro mandato eletivo como vereador em Belo Horizonte, sempre fez duras críticas ao Legislativo. Como articulador político, sua principal missão seria fazer a ponte entre o Executivo e a Assembleia Legislativa que, segundo ele, “é a mais cara do país”. Não daria mesmo certo.

Em artigo publicado no jornal Hoje em Dia, no dia 8 de outubro de 2018, Mateus Simões afirma que o Legislativo brasileiro é o mais caro do mundo e chegou a propor uma redução de um mínimo de um terço dos membros das Câmaras municipais, assembleias e Congresso Nacional.

“É preciso lutar contra privilégios, mas um primeiro passo talvez deva ser repensar o tamanho dos legislativos, pois não parece fazer sentido gastar-se tanto com quem produz tão pouco“, afirma o vereador em um trecho do texto.

No artigo, cujo título é “O Legislativo mais caro do mundo”, Mateus Simões assinala que o Congresso Nacional custa mais de R$ 10 bilhões por ano, o equivalente ao orçamento de Belo Horizonte, o que dá uma média de R$ 29 milhões de gastos por dia.

“Mas é um conjunto de desperdícios que não aparece apenas na esfera federal, pois a Assembleia de Minas custa mais de R$ 1 bilhão por ano. É a mais cara do país, mesmo tendo passado até maio [de 2018] sem votar um único projeto, sem que ninguém tivesse sentido falta disso”, escreveu Simões.

A Câmara Municipal de Belo Horizonte, que ele passou a integrar a partir de 2017, também não foi poupada. “A Câmara Municipal de Belo Horizonte não fica para trás: custa R$ 240 milhões por ano para votar normas tão úteis quanto a proibição de venda de água de coco dentro do coco…”

O vereador finaliza o artigo com a seguinte frase, se referindo ao Poder Legislativo: “Um país pobre não pode ficar sustentando uma estrutura de poder tão grande e luxuosa como a corte republicana dos imperadores eleitos do Brasil”.

Manobra de risco

A decisão do governador Romeu Zema de entregar a coordenação política do governo para Igor Eto é uma manobra de alto risco. Jovem, com pouquíssima experiência na política (até mesmo por conta da idade), terá como missão tentar construir uma relação minimamente amistosa entre o Executivo e o Legislativo, algo que seus antecessores, dois políticos muito experientes (Custódio Mattos e Bilac Pinto) não conseguiram.

Um grande desafio para o novo secretário será convencer a maioria dos deputados a aprovar a adesão de Minas ao Regime de Recuperação Fiscal do governo federal, tido como a única saída para retirar o Estado da crise financeira. Nesse pacote a Assembleia precisa aprovar, por exemplo, a venda das estatais Cemig e Copasa, que exigirá o sim de pelo menos 48 dos 77 deputados estaduais. O governo está muito, mas muito mesmo, longe desse número.

Missão para o novo secretário mudar esse placar.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Política

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