Secretário ameaça renunciar se Zema vetar reajuste dado a policiais

O secretário Otto Levy, do Planejamento, foto Daniel Protzner/ALMG

O governo Romeu Zema (Novo) rachou ante o dilema de sancionar ou vetar o reajuste a policiais. O secretário da Fazenda, Gustavo Barbosa, põe seu prestígio à prova apostando e defendendo o veto do governador a todos os reajustes. Um dos fiadores da negociação com as lideranças de policiais, o secretário do Planejamento, Otto Levy, ameaçou renunciar caso o reajuste seja vetado. O governador tem até o dia 17 de março para resolver.

O secretário de Governo, Bilac Pinto (DEM), corre o risco de ser demitido ante o desacerto das votações de interesse do governo na Assembleia. Um dos líderes das forças de seguranças, deputado Sargente Rodrigues (PTB), avisou que, se Zema vetar o reajuste, ele poderá “entregar o cargo”, pois, a partir dai, “não aprovaria mais nem moção de aplauso na Assembleia,

Tido como dos mais sensatos no governo, Levy embarcou no último sábado para os EUA, argumentando assuntos particulares. Sua viagem não poderia ter acontecido em hora pior. O governo tenta negociar na Bolsa de Valores a venda do mineral nióbio, de suas reservas, no momento de crise do mercado de ações. Com a medida, o governo calculava ganhar até R$ 6 bilhões para compensar o pagamento do 13º salário ao funcionalismo. Pode ter que adiar.

Secretaria descarta risco de renúncia

Em nota, a Secretaria de Planejamento e Gestão esclarece que não procede a informação de que Otto Levy “ameaçou renunciar”. O secretário encontra-se em viagem ao exterior por motivos pessoais agendada desde 2019, sustentou a pasta.

Ausência sinaliza derrota

No mesmo período, o governador irá decidir sobre a sanção ou veto, integral ou parcial, do governador. A ausência do secretário pode sinalizar perda de influência e derrota na defesa da sanção do reajuste aos policiais.

Depois de negociar por mais de ano com as lideranças do setor, o governo combinou reajuste salarial de 41,7% em três anos ao custo de R$ 9 bilhões. Antes de ceder, Zema pediu ao presidente Bolsonaro envio de tropas do Exército caso os policiais se amotinassem. Bolsonaro negou, deixando só a alternativa de ceder ou negar.

Estado quebrado ou sem discurso

Zema passou o ano de 2019 inteiro dizendo que recebeu estado quebrado, mas na primeira pressão lascou reposição de 41,7% para os policiais em 3 parcelas anuais. Ou seja, perdeu o discurso sobre a crise fiscal. Na votação do projeto, dois dos três deputados do partido Novo deram e pediram votos contra.

A direção nacional do Novo foi contra e emitiu nota após a aprovação pela Assembleia. Sem respostas, a direção do partido recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir a reposição. Para isso, o partido alegou descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Ex-presidente do Novo diz que Zema errou ao conceder reajuste a policiais

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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