Portaria de Sérgio Moro tem o mesmo ‘número da besta’ e decreta o juízo final

Cavaleiros do Apocalipse retratados em Bíblia de 1522, reprodução site BBC Brasil/SPL

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, foi com tanta sede ao pote, que acabou ultrapassando os limites da legalidade em suas reações contra o vazamento de seus diálogos com procuradores da Operação Lava Jato.

Primeiro, tentou destruir conteúdos de mensagens obtidas, criminosamente, após hackeamento de autoridades poderosas. Depois, editou portaria para deportar estrangeiros em nome da segurança nacional.

Houve juristas que viram em seus atos até manifestações apocalípticas. Coincidência ou propósito, até o número da portaria com a qual pretende deportar o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, fundador e editor do site The Intercept Brasil, tem significado cabalístico: 666, o número da besta.

Essa deve ser a referência mais conhecida do Apocalipse. O trecho que o cita diz: “Quem tiver discernimento, calcule o número da besta, pois é número do homem, e seu número é 666”. Ainda hoje, esse número é usado para falar sobre a imagem do mal.

Será que o ministro está acima do bem e do mal e tenta estancar o segundo?

O presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, disse que Sergio Moro “usa o cargo, aniquila a independência da Polícia Federal e ainda banca o chefe de quadrilha ao dizer que sabe das conversas de autoridades que não são investigadas”, conforme revelou a jornalista Mônica Bergamo.

Na quinta (25), Moro chegou a telefonar para autoridades que teriam sido alvo dos hackers presos na quarta (24). E avisou que as mensagens das pessoas seriam destruídas em nome da privacidade.

Veja detalhes da portaria

Nesta sexta, Sergio Moro editou portaria que regula a deportação sumária e redução ou cancelamento do prazo de estada de “pessoa perigosa” para a segurança do Brasil ou de “pessoa que tenha praticado ato contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal”.

As regras estão publicadas no Diário Oficial da União (DOU) de hoje e pode representar a intenção dele em deportar o jornalista norte-americano, que vem divulgando diálogos dos responsáveis pela operação Lava-Jato com interferências políticas em alguns julgamentos.

Após a prisão de hackers, que teriam invadido celulares de autoridades, Moro os vinculou às supostas fontes do The Intercept, que, por sua vez, mantém o anonimato de suas fontes como garante a Constituição brasileira.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Política

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