Secretário de Zema culpa Assembleia por reajustes e é chamado de “irresponsável” e “mentiroso”

Bilac ameaça e Agostinho rebate, fotos Guilherme Bergamini e Sarah Torres/ALMG

Após 21 dias da aprovação do reajuste dos policiais, que ele mesmo concedeu, o governo Zema (Novo) quebrou o silêncio para tentar se livrar do problema que criou. O secretário de Governo, Bilac Pinto (DEM), foi à Assembleia Legislativa, nesta terça (10), para dizer se a reposição seria sancionada ou vetada pelo governador.

No depoimento, o articulador político do governo culpou a Assembleia pela indefinição de Zema na sanção do projeto. A matéria foi aprovada com a inclusão de emenda estendendo o reajuste para todos os servidores.

Ainda na casa dos deputados, Bilac ameaçou ir à Justiça contra eventual decisão deles em derrubar o veto do governador ao reajuste das demais categorias. Tudo somado, a impressão que deu aos deputados é que o governo ficou aloprado, implodindo a pouca credibilidade que detinha junto aos deputados.

Resposta veio em tempo real

Quase em tempo real, Bilac levou dura resposta do presidente da Assembleia Legislativa, Agostinho Patrus (PV). Pelo Twitter, Agostinho classificou de “errado e irresponsável” querer culpar a Assembleia “pelos equívocos da articulação do governo”, conduzida por Bilac. Para o deputado Cristiano Silveira (PT), ele contou “mentiras”.

No dia 19 de fevereiro, os deputados aprovaram proposta do governo Zema de conceder 41,7% aos policiais mineiros ao custo de R$ 9 bilhões. Junto dela, aprovaram emenda estendendo a reposição para outras categorias com índices diferentes e menores.

Na tramitação, a emenda foi objeto de intensa negociação de deputados com Bilac, responsável pela articulação com a Assembleia. À época, nada disse nem se manifestou sobre o assunto. Tanto é que, dos 16 deputados da base governista, seis votaram a favor. Já no depoimento desta terça, o secretário disse que, com a emenda, os gastos do governo saltariam de R$ 9 bilhões para R$ 29 bilhões.

Efeito bipolar do reajuste

Após a aprovação do projeto, o governo Zema entrou em parafuso. O partido dele, o Novo, o pressionou para vetar tudo, mesma posição do secretário da Fazenda, Gustavo Barbosa. Sem respostas, o Novo recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir o reajuste, solicitando que os gastos com aposentados entrassem na folha do funcionalismo. Se assim for feito, Minas e vários outros estados ultrapassariam os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

“Seria o fim do governo”

Há informações de Brasília que um secretário de Zema teria tentado derrubar liminar do STF que livra Minas de pagar serviço da dívida com a União. Com isso, Minas sofreria sequestro imediato de R$ 20 bilhões em suas contas, consequentemente, teria justificativa para não pagar o reajuste aos policiais.

Comparado a um suicídio político, o gesto desesperador não foi confirmado pelo governo. Ao comentar a perda das liminares, Bilac comentou: “acaba, seria o fim do governo”. Ironicamente, a liminar que está salvando o governo atual foi herança do antecessor, Fernando Pimentel (PT), de quem Zema diz só ter recebido herança maldita.

No meio de tudo, há informações de secretário que ameaçou renunciar se o reajuste for vetado e que outro estaria sendo demitido pela bagunça criada.

Ex-presidente do Novo diz que Zema errou ao conceder reajuste a policiais

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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