Zema abandona cautela e critica condução da crise do coronavírus feita por Jair Bolsonaro

Governador Zema durante com o presidente Jair Bolsonaro, em Brasília - Foto-PR

Governador Zema e o presidente Jair Bolsonaro em Brasília - Foto-PR

Não há um só especialista em saúde pública que consiga defender, com argumentos técnicos, a postura desastrosa adotada pelo presidente Jair Bolsonaro na condução da crise sanitária provocada pela pandemia do coronavírus no país. E até mesmo muitos aliados políticos não conseguem mais, pelo menos publicamente, fazer a defesa do presidente nesse quesito. É o caso do governador de Minas, Romeu Zema (Novo).

Tido como um dos governador mais alinhados a Bolsonaro, o governador mineiro, em entrevista concedida no final da manhã de hoje ao jornalista Josias de Souza, do portal UOL, criticou a falta de uma coordenação nacional para enfrentar a pandemia, reclamou da falta de diálogo entre o governo federal e os governadores para tratar do tema e condenou até mesmo as trocas de ministros da saúde num dos piores momentos da crise.

“Uma coordenação nacional teria ajudado em muito o Brasil a lidar melhor com essa situação. Essa falta de ter (sic) um protocolo único para todos os estados, municípios, acabou fazendo com que alguns, mais bem estruturados, tivessem condições de implantar melhores políticas, práticas, e outros não. Caso o governo federal tivesse assumido essa frente, nós poderíamos estar em situação melhor em alguns estados”, disse o governador.

O desastre

O resultado do desgoverno está aí. O Brasil já é o segundo país em número de mortes provocadas pela Covid-19 (mais de 45 mil óbitos), atrás apenas dos Estados Unidos, que superou a marca dos 100 mil.

“Um momento extraordinário como esse exigiria uma coordenação extraordinária, que se criasse, como tem com os secretários da Fazenda, uma reunião de secretários de Saúde, para estar fazendo um esforço conjunto. O esforço ficou pulverizado e sujeito a diferentes interpretações, diferentes práticas. Isso, com certeza, acabou prejudicando”, acrescentou.

Refrescando a memória. Em meados de abril, Zema se recusou a assinar a “Carta Aberta à Sociedade Brasileira em Defesa da Democracia”, que foi chancelada por 20 governadores de outros estados, em que pediam união ao país para superar a crise provocada pelo coronavírus.

Zema preferiu não se indispor com o mandatário do país, uma vez que a carta também fazia uma defesa dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, David Alcolumbre, cujas reputações estavam sendo defenestradas pelas milícias bolsonaristas nas redes sociais.

Antes disso, em 25 de março, Zema também se recusou a assinar carta elaborada pelos governadores em que pediam ao presidente ajuda do governo federal para os estados tivessem melhores condições de enfrentar o inimigo invisível chamado coronavírus. O mineiro e o governador de Rondônia, Coronel Marcos Rocha, foram os únicos que não assinaram.

Até então, a postura do presidente Jair Bolsonaro na pandemia do coronavírus contava com a complacência do governador mineiro. Tanto melhor que agora ele não esteja mais ao lado do indefensável.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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