Zema diz não ter rabo preso com partidos e esconde PSDB e DEM

  • por | publicado: 24/09/2019 - 23:33 | atualizado: 25/09/2019 - 17:02

Zema já havia trocado Custódio Mattos por Bilac Pinto, fotos Renato Cobucci/Imprensa MG, Edição do Brasil e Gustavo Lima/ Agência Câmara

Ao se gabar de ser liberal, especialista em gestão e de praticante da ‘nova política’, o governador Romeu Zema (Novo) busca manter-se distante de partidos e da ‘velha política’. Sua fala abriu o 10º Fórum Liberdade e Democracia, em Belo Horizonte, na segunda (23).

Pontuou que não tem compromissos com partidos nem dívidas de campanha, porque só teve o apoio de sua própria agremiação, o Novo. Para reafirmar o distanciamento dos políticos, ou da ‘velha política’, disse que seus secretários foram selecionados e, depois, aprovados em sabatina pela Assembleia Legislativa. A sabatina surgiu em outro contexto, mas juntou tudo isso para dizer à audiência que faz um “governo diferente” como é o slogan de sua gestão.

Escondidinho tucano

O pronunciamento do governador tentou esconder dos liberais presentes que ele tem parceiros na política e que precisa deles para ter um mínimo de governabilidade. Ainda assim, Zema não celebra a parceria que tem com o PSDB desde o início da gestão. Nem mesmo os tucanos o fazem; quando tratam do assunto, dizem que não foi opção partidária.

Desde o início da gestão, a área política de seu governo foi comandada pelos tucanos. Seu primeiro secretário de Governo foi Custódio Mattos (PSDB), responsável pela articulação política com a Assembleia Legislativa. Como não foi bem-sucedido, foi trocado por outro político de perfil tucano, mas filiado ao DEM, o deputado federal Bilac Pinto. Na verdade, esse foi o primeiro político com mandato a entrar para a nova gestão, quebrando promessa de campanha.

O papel da ‘velha política’

Na Assembleia Legislativa, Zema ancorou e ainda se ancora em dois tucanos, o líder do governo, Luiz Humberto, e o líder da maioria, Gustavo Valadares. Todos já tiveram estreitas ligações com o deputado federal e ex-governador Aécio Neves (PSDB). Não há como mascarar a realidade. O governador precisa da ‘velha política’ para conduzir seu projeto político. Estilo semelhante adotou o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD). Apesar do estilo apolítico, nomeou para sua articulação um experiente político do MDB, Adalclever Lopes (ex-presidente da Assembleia Legislativa por dois mandatos).

Liberdade só econômica

O 10º Fórum Liberdade e Democracia, do qual o governador e o ministro da Economia, Paulo Guedes, foram palestrantes, confirmou que os liberais priorizam mesmo a economia. A política é um detalhe, seja democrática ou não, que não deve atrapalhar os negócios e os lucros.

O governador Romeu Zema, um clássico liberal, deixou isso bem claro, ao falar sobre a ditadura e a democracia brasileiras. No primeiro caso, não se posicionou se foi revolução ou golpe militar. Por outro lado, atacou duramente a democracia dos últimos 30 anos, classificando-a de “irresponsável”.

Democracia não é um sistema fácil, porque depende de diálogo, escuta e inversão de prioridades, com investimentos em políticas compensatórias. É plural e requer tempo e prazos. Ao contrário do outro, do “manda quem pode e obedece quem tem juízo”. Especialmente em tempos de crise, ganha-se mais dinheiro nesse último regime. A democracia do fórum traduziu-se exclusivamente em liberdade econômica.

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