Zema frustra policiais que reagem com indicativo de greve em três dias

Lideranças dos servidores da área de segurança prometem vigilância, reprodução Facebook de Domingos Sávio de Mendonça

Após um dia inteiro de muita pressão, as mais de cinco horas de negociações terminaram sem acordo entre governo e as 15 entidades associativas e os oito deputados ligados aos servidores da segurança pública de Minas. A reunião aconteceu, nesta segunda (16), na Cidade Administrativa (sede governo), onde, do lado de fora, concentraram-se, em protesto, centenas de servidores da área.

Na primeira etapa reunião, da qual participaram os secretários de Planejamento, Otto Levy, e de Governo, Bilac Pinto (DEM), o governo chegou a reconhecer as perdas salariais de 28,68% reivindicadas e a acenar com a reposição imediata. No entanto, no início da noite, após consulta ao governador Romeu Zema (Novo), houve mudança de planos.

Apesar do reconhecimento, o governo propôs iniciar o pagamento da reposição, sem índice definido, só a partir de setembro do ano que vem. “A proposta é inaceitável. Estamos esperando há 4 anos e meio, não vamos ficar mais um ano”, sentenciou o tenente-coronel Domingos Sávio de Mendonça. Oficial reformado, ele lidera o movimento independente e paralelo ao das entidades associativas e deputados. “A solução é a paralisação”, advertiu ele, reconhecendo que isso será um “colapso” na segurança pública.

Liderança pede renúncia de comandante

Ao defender a rejeição da proposta oficial, no que foi seguido pelos manifestantes, Mendonça sugeriu que o comandante-geral da PMMG, Coronel Giovanne Gomes da Silva, renunciasse o cargo para não ter que comandar “uma tropa que tem seus direitos violados”.

A cena do desfecho do dia de negociações e manifestações foi de unidade ao movimento que estava rachado com duas manifestações convocadas para esta mesma semana. A desta segunda (16) foi chamada por Mendonça e outra para a próxima quinta (19), convocada pelas entidades associativas e deputados em caso de não atendimento pelo governo.

Desconfiança de boicote

Houve quem desconfiasse de boicote pelo clima oposto das negociações. No final da tarde, Mendonça, que foi chamado à reunião de última hora, anunciou as “boas notícias” pelo reconhecimento da reposição. Três horas depois, vieram as más notícias, de que o reconhecimento só viria daqui a um ano. Para os desconfiados, a estratégia seria o governo anunciar melhor proposta no dia 19, dando crédito para as lideranças associativas e parlamentares.  

No mesmo encontro, o governo confirmou o fim do parcelamento dos salários deles a partir de dezembro, com pagamento no 5º dia útil. E o parcelamento do 13º salário em três vezes, caso não tenha êxito na operação de empréstimo que está buscando.

Participaram da reunião com o governo, os presidentes de 15 sindicatos e associações, os deputados federais Subtenente Gonzaga, Junio Amaral e Léo Mota, e os deputados estaduais Sargento Rodrigues, Coronel Sandro, Heli Grilo, Delegada Sheila e Bruno Engler.

Zema propõe acabar com parcelamento de policiais em 5 de dezembro

Agentes da segurança pública rejeitam proposta e prometem nova mobilização

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Marcelo Neri

Vamos lá tirar dinheiro do judiciário e legislativo gente, vão continuar o discurso utópico que o caixa é único também?

Marcelo Gomes

A polícia de minas é disparada a mais forte do Brasil é o quarto poder. Impossível enfrenta lá. Nunca na história perderam uma negociação

Wolff Carlos

Gostamos de cerimoniais. Dias festivos, criacoes de batalhoes, cias independentes, etc, sem aumento de efetivo. Uma festa pois o negocio fica lindo cantando ohhh Minas Gerais……

Antonio Costa

Pára a PM um dia só, somente um dia, só na capital, pára o IML, pára o serviço de trânsito… VAMOS ver quem tem a força, onde está o “MISERÊ”…

Marcelo Neri

Eu vou parar então de pagar impostos, aí sem salário pra ninguém…

Abacaxi

Não precisa parar de pagar, basta o Estado cortar uns 90 %, desburocratizar e privatizar o que tiver que privatizar…ai sim o país começa a andar.

Miguel A

Dou o maior apoio aos profissionais de segurança pública. Primeiramente, por ser uma profissão de alto risco. É uma afronta o Judiciário receber em dia e ter inúmeras regalias, e o Executivo ficar recebendo com atraso! Ou todos recebem em dia, ou greve já!

Gerson Silva

Policial não pode fazer greve colega. Ninguém é obrigado a ser servidor público e, muito menos, PM. A maioria escolhe o serviço público pela estabilidade e pelas benesses que o estado dá ou, pelo menos, dava. Mas, a conta uma hora chega e aí quer que a sociedade pague? Se o problema é o judiciário ou o legislativo, então, que os nobres policiais cobrem dessa turma. Cobrem do legislativo e, não me venha com essa picaretagem de greve não. PM aposenta cedo c/ salários bastantes generosos. Se fizerem greve que o governador seja implacável e aplique o rigor da lei. A sociedade não vai arcar com mais esse achaque. Se não estão contentes, paciência. Procure outra ocupação. Não é assim que o trabalhador comum faz?

Édson Gomes

Não podem fazer greve, mas quando fizeram aqui em MG, o exército, que hoje recebe um terço do salário da PM, foi tampar os furos dos grevistas. Olha o que diz o DECRETO-LEI Nº 667,
Artigo 24. Os direitos, vencimentos, vantagens e regalias do pessoal, em serviço ativo ou na inatividade, das Polícias Militares constarão de legislação especial de cada Unidade da Federação, não sendo permitidas condições superiores às que, por lei ou regulamento, forem atribuídas ao pessoal das Fôrças Armadas. No tocante a cabos e soldados, será permitida exceção no que se refere a vencimentos e vantagens bem como à idade-limite para permanência no serviço ativo.
Por isso o estado não consegue honrar a folha de pagamento dos servidores.

Rogerio Dias

Servidores públicos sempre querendo mais aumento..
Não ceda a pressão Zema!
O salário deles não é ruim não!!

Gerson Silva

Um PM recruta hoje ganha cerca de R$ 5.000 por mês e, depois de ingressar na corporação, faz cursinho de Cabo, de Sargento, de Tenente, etc….Daí vai pra uma cidadezinha de interior esbofetar cachaceiro e, depois de 25 anos aposenta c/ salário integral. Entra com 20 e aposenta c/ 45, 50 anos ganhando uma grana gorda. Mas, vamos achacar o estado e a população que ganhamos mais, né? Um absurdo.

Gerson Silva

Ah, e lembrando aos PM’s que os tais privilégios da elite que, também, acho um absurdo, não foram criados pelo Zema. Cobrem do legislativo e não do executivo, senhores.

Édson Gomes

Greve, não podem fazer, mas já fizeram e os militares das forças armadas tiveram que trabalhar para eles, ganhando bem menos da metade deles. Gostaria de saber como as forças auxiliares: PM e Bombeiros Militares, recebem maiores proventos do que as forças armada, chegando a um absurdo de um Coronel ter salário líquido acima de 25K e um General com pelo menos 45 anos de serviço, com atribuições em toda federação, com muito mais estudo e preparo, ficar abaixo dos 20k. E ainda os militares estaduais querem aumento, ameaçando de greve, para depois serem substituídos pelo serviço das forças armadas. Desrespeito ao Decreto lei 667 e aos cofres do estado de MG.
Olha o que diz o DECRETO-LEI Nº 667,
Artigo 24. Os direitos, vencimentos, vantagens e regalias do pessoal, em serviço ativo ou na inatividade, das Polícias Militares constarão de legislação especial de cada Unidade da Federação, não sendo permitidas condições superiores às que, por lei ou regulamento, forem atribuídas ao pessoal das Fôrças Armadas. No tocante a cabos e soldados, será permitida exceção no que se refere a vencimentos e vantagens bem como à idade-limite para permanência no serviço ativo.
Por isso o estado não consegue honrar a folha de pagamento dos servidores.