Zema se queixa da pressão de secretários para vender estatais

Zema e os secretários Gustavo Barbosa e Otto Levy, reprodução facebook de Romeu Zema

Quem tem conversado com o governador Romeu Zema (Novo) já ouviu dele algumas revisões após sete meses de gestão. Uma delas é que ele já estaria admitindo alternativas ao projeto ‘de uma nota só’: a adesão ao regime de recuperação fiscal do governo federal. Até então, o defendia como a salvação da lavoura.

A alternativa seria se empenhar pela inclusão dos estados na reforma da previdência, no Senado. E igualmente pela reposição das perdas de Minas, de até R$ 135 bilhões, com a Lei Kandir (federal).Nos últimos 23 anos, a norma isentou os produtos de exportação do ICMS,sem compensações para o estado.

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E mais, Zema teria admitido também que está sendo pressionado por sua equipe econômica pela recuperação fiscal. A equipe foi indicada pelo presidente nacional de seu partido, João Amôedo. Um deles, o secretário da Fazenda, Gustavo Barbosa, ocupou o mesmo cargo na gestão passada no Rio de Janeiro.Lá, ele levou aquele estado ao aperto fiscal do governo federal.Além de Barbosa, Otto Levy comanda a Secretaria de Planejamento.

E por que a preferência da equipe econômica pela recuperação fiscal? Afinal, esse programa impõe venda de estatais, como a Copasa e a Cemig, “as joias da coroa”. Além disso, exige congelamento de reajuste de salários e de promoções e fim de incentivos fiscais?

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A suspeita, entre deputados estaduais, seriam as ligações do Novo com grandes investidores interessados em estatais poderosas como a Cemig. Há ainda a possibilidade de o estado, com a adesão, voltar a contrair grandes empréstimos bancários. Consultados, aliados não quiseram se manifestar sobre as suspeitas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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