Gol diz que tem solidez, mas falta Bolsonaro vacinar povo

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  • por | publicado: 14/04/2021 - 14:04

O vice-presidente Financeiro e diretor de Relações com Investidores da Gol, Richard Freeman Lark Jr, espera mais esforço do Governo Bolsonaro no combate à Covid-19 como uma das ações para vencer a crise - Foto: Gol Linhas Aéreas/Divulgação

A Gol (Gol Linhas Aéreas Inteligentes S.A.) apresentou ontem (13/04) ao mercado, no relatório “Atualização ao Investidor” de março, um perfil de solidez e gestão de resultados na travessia da atual crise. Todavia, insiste em que a recuperação da economia depende da urgência do Governo Bolsonaro na imunização da população contra a Covid-19.

Maior companhia da aviação comercial brasileira, a Gol informa que, em situação de economia estável, transporta 36 milhões de passageiros/ano. A empresa tem sede em São Paulo e emprega diretamente mais de 14 mil pessoas.

Na relação março/fevereiro, a Gol reduziu em 31% a média diária de voos, para 245. Isso, então, possibilitou decolar as aeronaves com taxa de ocupação de 71,8%. Todavia, como em vários setores, a “segunda onda” brasileira da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) deixou cicatrizes no seu faturamento bruto. O resultado, de R$ 300 milhões, encolheu 37% na relação com fevereiro.

Empresa assegura liquidez

Mas, a Gol assegura ter “liquidez suficiente para administrar e financiar capital de giro, despesas e serviço da dívida nos próximos meses, período de maior impacto no seu fluxo de caixa”. No final de março, portanto, teria R$ 1,9 bilhão de liquidez total – inferior 10% sobre mês anterior. Essa liquidez estava representada por R$ 1,2 bilhão de caixa e aplicações, e, R$ 700 milhões em recebíveis.

Neste comunicado à B3 (Brasil, Bolsa, Balcão), observa, porém, que a soma de todas receitais previsíveis e ativos não onerados superavam R$ 5 bilhões. E mais: desconsiderando o serviço da dívida, em março, o “consumo líquido de caixa da Gol foi neutro em março”.

A empresa assegura que, em março, a conta de depósitos era de R$ 2,2 bilhões. Além disso, R$ 1,3 bilhão em ativos não onerados.

Amortização de R$ 4,1 bilhões

A contar do início do exercício fiscal de 2020, a Gol diz ter contabilizado R$ 4,1 bilhões na liquidação das dívidas financeiras. “Isso, refletirá na recuperação da solidez de sua estrutura de capital”, está no comunicado. Destaca que, excluídos os contratos de arrendamentos de aeronaves e notas perpétuas, o prazo médio de vencimento da dívida de longo prazo é de 3,3 anos.

No 1T21, a empresa amortizou R$ 418 milhões da dívida.

Custos: pessoal e operações

Nesse esforço de resultado de caixa, a Gol associou a prioridade em operar com eficiência em cima da “liderança em custos”. Dessa forma, tem meta de encerrar o 1S21 com os gastos de pessoal reduzidos “em torno de 50% dos patamares pré-pandemia”. Dentro desse ambiente, saliente que converteu “parte significativa dos custos fixos da folha de pagamentos e da frota em custos variáveis”.

“A administração da Gol honrou plenamente seus compromissos com o mercado global de capitais”, salienta o comunicado. E que “foi a única na América Latina a devolver capital aos investidores em 2020”.

Gol voa com frota reduzida

Da frota de 127 Boeing 737 (oito B737-MAX), a Gol manteve em operação na malha 63 aeronaves. Do início da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) até o encerramento deste quadrimestre a redução da frota será 17 Boeing 737 arrendadas, além da desistência de 34 modelos 737MAX (encomendas 2020-2022).

O total de passageiros transportados encolheu 23%, para 1.609.000 – 1.331.000 em rotas domésticas.

Gangorra do caos econômico

A Gol relaciona, de forma direta, a expectativa de recuperação econômica ao avanço da imunização da população contra a Covid-19 índices satisfatórios. Na relação março/fevereiro, a pandemia impôs queda de 25% na procura por passagens em seus voos. Em volume de bilhetes, retração diária de 40%. Isso coincidiu, portanto, com a “segunda onda” da doença no país.

Mas relembra a estreita combinação, desde o início da pandemia, de recuperação da demanda por voos com declínio na curva de casos da Covid-19. A Gol cita o período agosto-setembro, quando realizou ajustes na malha.

E situação oposta, vem o caos. “(…), na semana passada, quando o Brasil atingiu seu pico de casas em sua ‘segunda onda’, o tráfego de passageiros atingiu o mínimo de cerca de 35% em relação ao período de 2019. Dessa forma, a companhia espera que, à medida que a curva diária de novos casos da Covid-19 comece a se inverter e com uma recuperação do PIB brasileiro, haverá aceleração nas buscas por passagens aéreas e no patamar de vendas da Gol”.

Efeito da vacinação nos EUA

O relatório insiste em que, a exemplo de outros países, todo o empenho da economia do Brasil terá a ver com o sucesso do Programa Nacional de Imunização da população. Destacou, por exemplo, o ocorrido nos Estados Unidos. De acordo com a TSA (Transportation Security Administration) o fluxo mais baixo de passageiros, de 35%, no final de janeiro comparado a 2019, coincidiu com o “pico de casos da ‘segunda onda’ (da Covid) americana. Em apenas dois meses do pico de baixa, o fluxo de passageiros se recuperou para mais de 60% do patamar de 2019”, relata a Gol.

Governo Bolsonaro precisa agir

O diretor-vice-presidente Financeiro e diretor de Relações com Investidores da Gol, Richard Freeman Lark Jr, observa, então, que, desde o início da Covi-19, a empresa se ocupou com a proteção do “balanço patrimonial”. Combinou, portanto, redução, reduzindo custos e outras medidas. Mas deixa claro que, daqui para frente, os resultados dependem diretamente da eficiência do Governo Bolsonaro na imunização da população.

“Estamos, portanto, confiantes na capacidade de gestão para administrar eficazmente as operações da companhia nessa segunda onda, até que tenhamos uma recuperação da demanda de viagens com o avanço da vacinação”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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