Klabin não foi afetada pela piora do risco Brasil na Fitch

Fábrica da Klabin, de Monte Alegre, onde a empresa começou a produzir em 1946 - Foto: Divulgação

Apesar da paranoia que predomina, devido à Covid-19, fatos positivos ressurgem para economia nacional. Um desses, a classificação de risco da Klabin S.A. pela Fitch Ratings. A Klabin é muito importante no mercado interno, pois, lidera na fabricação de papel ondulado, além de fornecer de papel e celulose.

Na segunda (04/05), a companhia informou que a Fitch “afirmou” os IDRS (sigla em inglês para Ratings de Inadimplência do Emissor) assim: ‘BB+’ e o Rating Nacional de Longo Prazo ‘AAA(bra)’. E, ainda, os ratings ‘BB+’ das notas seniores da Klabin Finance S.A e Klabin Austria Gmbh, que têm garantias da Klabin.

Ou seja, a Klabin é boa pagadora. Isso, claro, é muito relevante para o setor financeiro. A Fitch, de acordo com o comunicado, considera como “estável” a “perspectiva” dos ratings corporativos do grupo. Mas, no dia seguinte, a agência rebaixou a nota de crédito do Brasil: de “estável” para “negativa”.

A empresa tem 18 unidades industriais no Brasil e uma na Argentina. A pioneira, inaugurada em 1946, é a de Monte Alegre (PR). No seu portfólio de vendas, no país e exterior, a empresa tem celulose, papéis e embalagens.

Klabin opera acima de 90%

As boas notas da Fitch, na interpretação da diretoria da Klabin, refletem uma liderança setorial sustentada em sua ampla base florestal própria. Portanto, o acesso à fibra de baixo custo e sistema integrado floresta-indústria permitem ao grupo operar com “baixa estrutura de custo de produção”.

“A empresa também se beneficia de sua posição como produtora de baixo custo de celulose de mercado, no menor quartil, enquanto mantém volume de produção de celulose acima de 90% de sua capacidade nominal”, exemplifica o comunicado da empresa ao mercado.

Nos nichos do mercado interno de caixas de papelão ondulado e de cartões revestidos, a Klabin lidera com 18% e 50%, respectivamente, de participação. Além disso, é única fabricante de embalagens de papel-cartão paralíquidos (LPB, na sigla em inglês) e a primeira em kraftliner e de sacos industriais – participações 42% e 56%, respectivamente.

Crescerá 920 mil toneladas anuais

A Klabin descreve que a Fitch avaliou como muito estratégico o projeto de expansão. Pois, com ele terá acréscimo de 920 mil toneladas/ano na produção de kraftliner. Projeto será concluído até 2023. Com esse salto, então, a empresa assumirá posição de terceira maior fabricante mundial daquele item.

Entre os principais ativos produtivos da Klabin está uma fábrica de celulose, com capacidade para 1,6 milhão de t/ano. Com os 248 mil hectares de florestas homogêneas a empresa tem, assim, assegurada a maior parte da demanda em de fibras longa e curta. Os maciços totalizam 542 mil hectares. Os ativos da companhia, no final do primeiro trimestre, somavam R$ 33,839 bilhões. Portanto, pouco mais de R$ 1 bilhão abaixo de 31 de dezembro de 2019.  

Prejuízo líquido de R$ 3,1 bilhões

As vendas da empresa no primeiro trimestre, de R$ 2,591 bilhões, avançaram 4% sobre período de 2019. O volume de produtos atingiu 849 mil toneladas (+8%). Mas, mesmo assim, a empresa contabilizou prejuízo líquido consolidado de R$ 3,170 bilhões, 1.485% acima daquele lançado no 1º trimestre de 2019.

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