Paulo Guedes feito um sem-teto do próprio orçamento

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  • por | publicado: 23/03/2021 - 14:22

Congresso Nacional deve votar amanhã (24/03) o Orçamento da União com déficit de R$ 247,1 bilhões - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A vida do ministro da Economia, Paulo Guedes, nunca esteve uma brastemp, desde a posse, em 1º de janeiro de 2019. A pandemia da Covid-19, além de drenar, pelo 2º ano, o Orçamento da União, contaminou muitas de suas ideias debatidas antes mesmo de assumir – privatizações, reformulação no Sistema S etc. Algumas propostas, porém, emperraram na bic do presidente. O único troféu, então, do ministro foi o projeto de autonomia do Banco Central.

A ocupação do ministro, nesse cenário, é quase que exclusiva na caça de centavos para os cofres do Tesouro Nacional e, principalmente, cumprir o “teto dos gastos”, de R$ 1,486 trilhão. O Orçamento da União, de 2021, projeta despesas de R$ 4,324 trilhões, e começa com déficit primário de R$ 247,1 bilhões. Paulo Guedes, então, vive pressionado na mesma velocidade das exigências por recursos da linha de enfrentamento da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

O dinheiro da Vale vira, em Minas, orçamento paralelo. Veja AQUI

EBCT reforma prédio

Todavia, algumas canoas do suporte indireto do Orçamento da União têm cascos feito peneiras. As estatais, por exemplo, ainda não apareceram para valer em apoio a Paulo Guedes. Acelerar a venda de alguma companhia, portanto, não surpreenderá.

O Ministério das Comunicações, por exemplo, dá uma no cravo outra na ferradura. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT – Correios) acaba de contratar gastos não essenciais de R$ 3,890 milhões. Investe na reforma do Edifício Telex dos Correios, em Brasília. Contratou a Arteflex Engenharia, que terá dois anos (até 11/03/2023) para execução. Essa contratação segue modalidades de execução indireta (terceiros) e semi-integrada (a empreiteira elabora e desenvolve o projeto completo, o executivo e assume a execução).

Anatel MG vira inquilina do BC

Mas, também na área do MC, um bom exemplo. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que, apesar de autônoma no Estatuto, é vinculada ao ministério. Além disso, submetida às vontades políticas do presidente da República. Mas, a Anatel deixará de pagar aluguel para manter a Gerência Regional de Minas Gerais, em Belo Horizonte. A partir do dia 1º de abril, estará oficialmente instalada no prédio da sede regional do Banco Central do Brasil (BC).

O BC acomodará a Anatel via “Termo de Cessão Gratuito de Uso de Área”. No dia 08/03, portanto, a Anatel assinou a rescisão amigável Rescisão Amigável (Contrato nº 110/2019-Anatel) com a Tecno – Temp Comércio Instalação e Manutenção Ltda.

A agência, assim, vira inquilina 0800 do BC.

E a segurança no BC?

Contudo, a acolhida da Anatel, provoca, no mínimo, uma pergunta: onde foi parar a rigidez da extrema segurança nos prédios do BC? Por sua natureza, os endereços da autoridade monetária nacional são (ou seram) verdadeiras fortalezas e praticamente restritas aos funcionários. Até então, passar em frente a um prédio do banco e olhar para dentro, motivaria investigação. Tirar foto, arrastado até um delegado da Polícia Federal. Gritar palavra de ordem, condenação sumária!…  

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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