Com ameaça de protesto de policiais na porta de casa, Zema libera pagamento

Governador Romeu Zema corre risco de ser expulso do Partido Novo se sancionar aumento para servidores da segurança pública. Foto - Pedro Gontijo/Agência Minas

Governador Romeu Zema - Foto - Pedro Gontijo/Agência Minas

No meio da tarde desta segunda (6), o governador Romeu Zema (Novo) anunciou o pagamento dos salários dos policiais e de servidores da Saúde para a próxima quinta (9). E o fará integralmente, sem parcelas. A medida só foi tomada depois que policiais ameaçaram fazer protesto na porta de sua casa, na Pampulha, nesta terça (7), 5º dia útil, se o pagamento não fosse feito, conforme o combinado.

“O pagamento será possível devido a um grande esforço do Estado em seu fluxo de caixa e contempla profissionais que estão na linha de frente do combate ao coronavírus nos 853 municípios mineiros”. Esse é o teor da nota divulgada pela Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag).

Por outro lado, os outros servidores não têm ainda sequer data para o pagamento. “Em razão da queda de arrecadação ocasionada pela pandemia, ainda não é possível anunciar a escala de pagamento de todos os servidores. Esse anúncio será feito tão logo seja possível”, completa a nota oficial.

Atraso pode ser maior para outros

Para esses, o indicativo é de atrasos maiores dentro do mês, ou fora dele. A notícia angustia ainda mais as pessoas que vivem de seus salários, especialmente em tempos de pandemia.

Outra situação dolorosa é que o estado está avaliando, ou permitindo, o corte de salários daqueles servidores que não são efetivos, como os terceirizados. As lideranças do professorado já denunciam corte à metade de cantineiras de escolas estaduais. O secretário geral do governo, Mateus Simões (Novo), negou a possibilidade, mas reconheceu que o governo está suspendendo vários contratos com terceirizadas.

Ajuda extra de quase R$ 1 bilhão

O governo estadual continua reclamando de queda na arrecadação, mas também tem recebido apoio de todos os lados. A Assembleia Legislativa, por exemplo, aprovou todos os projetos que pediu em estado de calamidade, autorizou o uso de cerca de R$ 300 milhões, incluindo aa emendas impositivas dos deputados estaduais.

O Judiciário mineiro desbloqueou R$ 500 milhões da mineradora Vale, retidos após a tragédia que provocou em Brumadinho (Grande BH), com cerca de 300 mortes. O mesmo Judiciário está liberando outros R$ 15 milhões, recursos da prestação de penas pecuniárias e custas judiciais, para equipar e subsidiar hospitais.

O governo federal liberou cerca de R$ 100 milhões, com os quais o estado está construindo um hospital de campanha em BH. Enfim, todos estão fazendo esforço. O governo precisa reconhecer isso e fazer sua parte. Não basta apenas ter compreensão com alguns empresários na hora de recolher os impostos.

Associação de policiais fala em “guerra”

O governo previa pagar o 13º salário de quem ainda não recebeu até o final de março. Não conseguiu cumprir. No mês passado, frustrou servidores, especialmente da área de segurança, com reajuste anunciado e cancelado. Restaram das promessas uma reposição de 13% para os policiais no mês de agosto e o anúncio de retorno do pagamento de salários até o 5º dia útil.

Antes do anúncio, a Associação de Praça Policiais e Bombeiros Militares (Aspra) havia divulgado nota de repúdio em tom elevado. “A postura do governador demonstra, mais uma vez, que o governo não valoriza a classe e a deixa em segundo plano. Ao plantar o anúncio dessa guerra, deverá colher uma grande crise de governabilidade”, advertiu. E mais: “Portanto, caso persista nessa decisão, Zema sofrerá sérias consequências. A classe ainda amarga a decepção de ter desrespeitado o acordo firmado a respeito da recomposição salarial, projeto este que foi vetado pelo governador”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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