Renner martela recado; assume cautela ao risco Bolsonaro

  • por | publicado: 22/10/2021 - 04:23

A rede de varejo Lojas Renner retorna, portanto, simultaneamente, a dois indicadores Dow Jones - Foto: Renner/Divulgação

A rede varejo Lojas Renner, de Porto Alegre (RS) tem alguns feitos relevantes no mercado de capitais, na Bolsa (B3-Brasil. Bolsa. Balcão). Por exemplo: de primeira companhia aberta a ter 100% das ações em Bolsa pulverizada. Isso está destacado na convocação dos acionistas de AGE, pelo presidente do Conselho de Administração, José Galó. No dia 04/11 a empresa elevará o capital de R$ 1,230 bilhão.

Mas, a AGE para avaliar e votar proposta de aumento de capital é algo corriqueiro no mercado acionário. Sim. E até em valores superiores ao apresentado pela Renner. Entretanto, a rede gaúcha abre mão uma captação pelas opções convencionais mais usuais: emissão de novas ações e/ou de debêntures com esforço restrito.

“Ainda vivemos um momento de incerteza devido à Covid-19 …”. Isso é parte da mensagem de Galló, para justificar uma AGE “exclusivamente digital”. Mas, mesmo que suprimido “devido à Covid-19”, a mensagem continuaria verdadeira. Pois, o “momento de incerteza”, no país, não é de hoje. Se instalou antes da Covid-19 ser declarada pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS/ONU), em março de 2020. Chegou com falta de mudanças estruturais na econômica, vazio ocupado por desmandos e trapalhadas na política.

As consequências, então, estão aí: CPI da Covid-19, no Senado, e fechamentos do Ibovesp e cotação do dólar em dois dias seguidos. E de quebra, a debandada no Governo: quatro secretários na equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, e um no Minas e Energia.

Esse conjunto de fatos ruins resultam das medidas eleitoreiras de Bolsonaro. E claro, na ponta, dá brilha ao “momento de incerteza”. As consequências aparecem na gangorra do PIB para baixo, desemprego para o alto. A crise energética se repete. O produto social disso, portanto, terá uma triste fotografia nas planilhas do Censo 2020, que o IBGE fará em 2022.

Renner investe R$ 1,1 bilhão

De volta à Renner. A companhia tem plano de investimentos de R$ 1,1 bilhão, em 2021, para sustentação de projetos de expansão dos negócios. O exercício fiscal atual está por mais 70 dias do fim. Certamente, portanto, a companhia realizou os gastos. E precisa, então, fechar a contabilidade que aparecerá no balanço patrimonial cheio, janeiro-dezembro.

Engenharia da Renner Como perdura “momento de incerteza”, a diretoria optou por não fazer captação externa, não se comprometer com juros. Restou, portanto, olhar para o próprio balanço. É nele que os acionistas se debruçarão na AGE.

O CA da Renner propõe aos acionistas formar o bolo assim:

  • Da Reserva de Plano de Opções de Compra de Ações, saca R$ 30,759 milhões (35,6% da rubrica);
  • No saldo da Reserva de Lucros (engloba três itens: Reservas de Investimento e Expansão, Legal e de Incentivos Fiscais), subtrairá R$ 1,200 bilhão.

Capital encostará nos R$ 9 bi

Em troca, os acionistas terão uma bonificação (global) gratuita de ações de 10%. Esse percentual fecha em 89.858.402 novas ações, com valor unitário fixado em R$ 13,35. Para fechar a contabilidade, se os acionistas aprovarem esses itens da pauta, a Renner elevará o capital. Crescerá R$ 1.230.759.076,65, portanto, para R$ 8.974.030.190,98. Assim, a companhia atingirá o limite de capital autorizado, de 1.497.375.000.

Os acionistas da Renner farão a AGE com qualquer número de participantes, pois, será em segunda convocação. A pauta completa é de 9 itens.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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