Além do favoritismo de Kalil, pesquisas revelam incompetência da oposição em BH

Prefeito Alexandre Kalil lidera pesquisa na disputa pela prefeitura de BH. Foto - PBH

Prefeito Alexandre Kalil lidera pesquisa na disputa pela prefeitura de BH. Foto - PBH

A pesquisa sobre as intenções de voto para prefeito de Belo Horizonte divulgada hoje pelo Instituto Paraná não traz nenhuma novidade. O prefeito Alexandre Kalil mantém o seu favoritismo, como vem mostrando outros levantamentos feitos desde o início do ano. O que fica evidente com base nessa e em outras pesquisas é a incompetência da oposição, que em três anos e meio não conseguiu fazer um contraponto ao atual prefeito e construir uma candidatura alternativa para o eleitorado da capital.

A verdade é que desde que assumiu a prefeitura, em janeiro de 2017, o prefeito Alexandre Kalil correu livre, leve e solto, com o beneplácito até mesmo dos partidos mais à esquerda.

Se em três anos e meio parecia estar tudo bem na saúde, na educação, na segurança, na infraestrutura, na mobilidade, porque agora, poucos meses antes da eleição, Kalil passou a ser apontado como incompetente por alguns pré-candidatos e sua gestão questionada?

Para uma parcela considerável do eleitorado, isso tem um nome: oportunismo. Explica, em boa medida, o desempenho dos pré-candidatos oposicionistas, caso de João Vitor Xavier (Cidadania), que na pesquisa do instituto Paraná aparece com 6,5% das intenções de voto, Áurea Carolina (PSOL), que tem 4,4%, Nilmário Miranda (PT), com 2%, contra 55,9% de Kalil, num dos cenários pesquisados.

Uma maravilha?

Significa que a gestão Kalil é uma maravilha? Longe disso. Na saúde, os problemas continuam crônicos. Que o digam os usuários dos postos de saúde e das Unidades de Pronto Atendimento (Upas).

Na educação, Belo Horizonte tinha um modelo de ensino para as crianças de zero a 5 anos, a chamada educação infantil, que era considerado modelo para o país. Mudanças foram feitas, mas para pior, como é o caso da redução do tempo das crianças nas escolas. A capital mineira talvez seja a única do país que não ofereceu para os alunos da rede pública, em tempos de pandemia do coronavírus, uma alternativa de atividades à distância.

Há também problemas de mobilidade, de moradia, de geração de empregos e tantos outros, muitos deles, evidentemente, herdados pelo atual prefeito. Mas eles não foram resolvidos, o que significa dizer que Belo Horizonte está muito longe de ser um mar de rosas. Mas a maioria dos pré-candidatos, senão todos, só se lembrou de fazer esse contraponto agora.

A favor dos oposicionistas, está o fato de que, segundo a pesquisa do Instituto Paraná, quase 60% dos entrevistados (59,8%) disseram não saber em quem votar, ou seja, estão indecisos. Contra, entretanto, afora o fato de não terem começado bem antes a atuar como oposição, está o tempo: a campanha é curtíssima, o que favorece muito as candidaturas que já são conhecidas. E quem é efetivamente conhecido em Belo Horizonte? Alexandre Kalil.

Significa que o atual prefeito está reeleito? Evidente que não, até mesmo porque não se ganha eleição de véspera. Mas está claro que o trabalho dos oposicionistas será hercúleo. E muitos deles sequer tiraram ainda o pé do chão.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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