Ameaça do governo Bolsonaro obrigou Zema recuar no reajuste de 41,7% para a segurança

Governador Zema conversou recentemente com o ministro Paulo Guedes sobre situação financeira de Minas. Foto - Ministério da Economia

Zema buscou ajuda do ministro Paulo Guedes no mês passado, Foto - Ministério da Economia

O governador Romeu Zema (Novo) esteve semana passada em Brasília no Ministério da Economia e recebeu um recado claro e duro do ministro Paulo Guedes: se o governo de Minas concedesse o aumento de 41,7% para as forças de segurança, conforme propôs o Executivo mineiro em projeto enviado e aprovado pela Assembleia, poderia tirar o cavalo da chuva. Minas não teria nenhuma ajuda do governo federal para tentar superar a grave crise financeira que atravessa.

A alegação do ministro foi muto simples, conforme interlocutores ouvidos pelo Além do Fato que tiveram acesso ao teor da conversa com o governador. Primeiro: se o governo está disposto a conceder um aumento de quase 42% para uma categoria de servidores, que representaria mais um rombo de R$ 9 bilhões nas contas públicas, o Estado não precisaria usufruir de nenhum regime especial concedido pelo governo federal. Portanto, que arcasse com o desatino.

Segundo: a concessão desse aumento para as forças de segurança de Minas provocaria um efeito cascata em todo o país, com chances de que os motins de policiais que aconteceram no Ceará se repetissem Brasil afora, com consequências imprevisíveis. O governo federal não aceitaria.

O argumento do governo mineiro de que o Estado teria como absorver esse aumento soou, para o ministério da Economia, como conversa para boi dormir. O Tesouro Nacional sabe muito bem que a situação das finanças de Minas é de absoluta penúria e a história de que o Estado está dentro do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal no gasto com o funcionalismo não passa de uma maquiagem feita pelo Tribunal de Contas, de comum acordo com o Executivo.

Mas como o aumento de 41,7% foi proposto pelo próprio governador, depois de forte pressão das polícias e uma negociação que se arrastou por quase um ano, a equipe econômica decidiu fazer uma concessão. Concordou com o aumento de 13% para este ano, o que reduzirá o impacto nas finanças públicas para algo em torno de R$ 1 bilhão (contra os R$ 9 bilhões se o aumento fosse integral).

Ou Zema enfiava a viola no saco, para usar uma expressão muito comum no interior de Minas, e aceitava a proposta, ou arcava com as consequências de levar o Estado para um buraco ainda mais profundo. Optou pela primeira, embora, do ponto de vista político, ela tenha gerado um profundo prejuízo para o governador.

Novo partido

O governador Romeu Zema, único governador eleito pelo Novo e esperança da legenda de que sua administração servisse como uma vitrine para o país, está com um pé fora do partido.

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