Bolsonaro avalia recriar ministério da Segurança e Moro ameaça deixar governo

O presidente Jair Bolsonaro em reunião com secretários estaduais de segurança pública, que pediram recriação de ministério para cuidar da área. Foto - Carolina Antunes/PR

O presidente Jair Bolsonaro em reunião com secretários estaduais de segurança pública, que pediram recriação de ministério para cuidar da área. Foto - Carolina Antunes/PRFoto: Carolina Antunes/PR

Como já havia sido noticiado aqui no Além do Fato, o presidente Jair Bolsonaro confirmou que estuda a possibilidade de retirar a segurança pública do ministério de Sérgio Moro.

Ministro com melhor avaliação do governo e bem mais popular que o próprio presidente, Moro é pré-candidato à Presidência da República em 2022 e, portanto, um potencial adversário de Bolsonaro. O melhor a se fazer, portanto, é reduzir seu raio de atuação.

Chamou também a atenção a forma como o presidente anunciou a possibilidade de recriação do Ministério da Segurança Pública. Bolsonaro se reuniu no Palácio do Planalto com os secretários estaduais de segurança pública, mas o responsável pela área no governo federal, que é o ministro Moro, não foi convidado para o encontro.

Outro detalhe: o presidente fez questão de dar publicidade ao encontro com os secretários estaduais, que levaram a ele um pedido para a recriação da pasta da Segurança Pública. Portanto, caso a área volte a ter status de ministério, Bolsonaro vai dizer que estará simplesmente atendendo uma demanda de todos os estados.

Conversa pra boi dormir. O presidente já vinha avaliando essa possibilidade, especialmente depois que Moro tentou capitalizar os bons índices de redução da violência no país no ano de 2019. O objetivo principal é cortar as asas do seu potencial adversário, cuja desenvoltura está incomodando os bolsonaristas.

Insatisfeito com o gesto do presidente, o ministro Moro teria mandado um recado ao Palácio do Planalto: sai do governo se perder o controle sobre a segurança pública. A ver.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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